Conecte Conosco

Centro-Oeste

Empresas de fachada de político com processo por lavagem de dinheiro continuam em atividade

Publicado

em

Quatro meses depois de ser acusado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), a família do político goiano Eurípedes Gomes de Macedo Júnior, ex-vereador de Planaltina de Goiás, mantém ativas as empresas identificadas como fachadas para lavagem de dinheiro.

Entenda o caso

Em julho, o Ministério Público Eleitoral denunciou 19 pessoas ligadas ao partido Pros, dentre elas o ex-presidente do partido Eurípedes Júnior. A denúncia, aceita pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal, decorre da operação Fundo do Poço, lançada pela Polícia Federal em 2022, que apurava uma organização criminosa criada para desviar verbas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), totalizando R$ 36 milhões desviados.

A investigação da Polícia Federal aponta que o grupo, liderado por Eurípedes, utilizava o Pros, que foi incorporado ao Solidariedade em 2023, para enriquecer familiares. O esquema envolvia criação de empresas de fachada, uso de candidaturas falsas, emissão de notas fiscais fraudulentas e movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo para disfarçar a origem e o destino dos recursos.

“Em algumas situações, o dinheiro desviado das candidaturas falsas retornava por vias indiretas a Eurípedes, principalmente através do pagamento de bens à GFAX, empresa de fachada criada pela família”, destacou o promotor de Justiça Eleitoral Paulo Roberto Binicheski na denúncia.

O Ministério Público Eleitoral relata que a organização tinha três núcleos distintos. O núcleo familiar era liderado por Eurípedes e incluía sua mãe, Maria Aparecida dos Santos; sua esposa, Ariele de Oliveira Coimbra Macedo; e suas filhas, Jhennifer Hannah Macedo e Giovanna Yule Macedo. Todos esses foram citados na ação judicial e seriam os principais beneficiários dos desvios.

O processo ainda está em andamento na Justiça Eleitoral.

Sobre as empresas

Segundo informações anteriores, as empresas GFAX Assessoria, Consultoria e Gestão Ltda., Lar Serviços de Consultoria Ltda., e Hotel Planaltina Ltda. fazem parte do esquema fraudulento e aparecem com status ativo em registros oficiais de CNPJ.

A empresa Lar Serviços de Consultoria Ltda., criada em março de 2019, está ativa na Receita Federal. Seus sócios são as filhas de Eurípedes, Jhennifer Hannan e Giovanna Yule Macedo, sua mãe Maria Aparecida dos Santos, seu irmão Fabrício George Gomes dos Santos, a cunhada Kelle Pereira da Silva Dutra e o próprio Eurípedes.

O endereço da empresa fica no bairro Parque Atheneu, em Goiânia, e é um imóvel residencial de acordo com pesquisas.

A GFAX Assessoria, Consultoria e Gestão funciona como uma holding, com capital social de R$ 2,37 milhões. Seus sócios também são Eurípedes e suas filhas, estando localizada em Planaltina de Goiás.

Além disso, há a Imobiliária GFAX, irmã da holding, criada em 2024 e sem espaço físico ou presença online perceptível. Ela é composta pelas mesmas pessoas e exerce diversas atividades econômicas, incluindo construção civil e comércio varejista.

O Hotel Planaltina Ltda. funciona no Setor Leste de Planaltina (GO), aparentemente ativo e comprado pela família há cerca de três anos. A Lavanderia Planaltina Ltda. também está ativa no mesmo local.

Eurípedes Júnior é parceiro ou administrador em outras três empresas ativas, e Jhennifer Hannah é sócia em duas outras.

A denúncia

O MPE acusa Eurípedes de usar recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para seu benefício e de sua família, utilizando candidaturas falsas e manipulando verbas públicas.

O juiz da 11ª Zona Eleitoral do DF, Jayder Ramos de Araújo, considerou que as evidências indicam a existência de uma organização criminosa com estrutura e divisão de tarefas, liderada por Eurípedes Gomes de Macedo Júnior. A organização possuía núcleos familiar, operacional e empresarial, interligados na atuação criminosa.

Alguns investigados foram afastados por falta de provas, mas o processo continua para outros envolvidos.

Prisões e investigações anteriores

A operação Fundo do Poço prendeu Eurípedes Júnior, que chegou a estar foragido por três dias antes de se entregar em junho de 2022. Ele ganhou liberdade provisória em agosto daquele ano.

Em 2014, o Tribunal de Justiça de Goiás determinou a apreensão de bens de Eurípedes por suspeitas de desvios da Câmara Municipal de Planaltina.

O Ministério Público de Goiás também apontou que ele teria contratado funcionários fantasmas para desviar dinheiro público entre 2009 e 2010.

Resposta da defesa

Em nota enviada ao Metrópoles, o advogado de Eurípedes Júnior, Bruno Martins, informou que o processo corre em segredo de Justiça e, por isso, a defesa não vai comentar neste momento, reservando-se para apresentar todos os esclarecimentos no momento oportuno, diretamente nos autos.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados