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EUA suspendem análises de pedidos de asilo após ataque em Washington

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O governo dos Estados Unidos decidiu pausar temporariamente a análise dos pedidos de asilo no país, segundo fontes oficiais na sexta-feira (28). Essa medida faz parte da política migratória mais rígida do presidente Donald Trump, após um ataque a tiros contra dois membros da Guarda Nacional em Washington, cometido por um cidadão afegão.

As autoridades identificaram o afegão como autor dos disparos na quarta-feira (26), o que resultou na morte de um dos soldados. Este acontecimento motivou uma resposta imediata do governo contra a imigração.

Joseph Edlow, diretor do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), anunciou na noite de sexta-feira a suspensão de todas as decisões relativas a pedidos de asilo até que o governo assegure uma avaliação completa e rigorosa de cada estrangeiro.

Esse anúncio veio logo após Trump revelar planos para interromper permanentemente a entrada de imigrantes de países em desenvolvimento, permitindo que o sistema americano se recupere totalmente.

Ao ser questionado sobre quais nacionalidades seriam impactadas, o Departamento de Segurança Nacional indicou uma lista de 19 países, incluindo Afeganistão, Cuba, Haiti, Irã e Mianmar, que já enfrentam restrições para viajar aos Estados Unidos desde junho.

O secretário de Estado, Marco Rubio, disse na sexta-feira que a emissão de vistos para pessoas com passaportes afegãos foi temporariamente suspensa.

Ele enfatizou que “Os Estados Unidos não têm prioridade maior do que proteger o país e sua população”.

Contexto Político

O tiroteio trouxe à tona questões sensíveis: o uso das forças militares no território nacional, a imigração e o impacto da guerra dos EUA no Afeganistão.

O atirador, identificado como Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos, foi integrante das “unidades zero”, um grupo antiterrorista afegão apoiado pela CIA, segundo veículos de imprensa americanos.

Lakanwal havia chegado aos Estados Unidos por meio de um programa de reassentamento após a retirada das tropas americanas do Afeganistão em 2021.

Jeanine Pirro, procuradora federal de Washington, informou que o indivíduo será acusado de assassinato pelo atentado.

Na véspera do Dia de Ação de Graças, Lakanwal disparou um revólver Smith & Wesson .357 contra guardas que faziam patrulha na área próxima à Casa Branca.

O ataque resultou em duas vítimas: Sarah Beckstrom, de 20 anos, e Andrew Wolfe, de 24 anos.

Beckstrom, integrante da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental, faleceu na quinta-feira devido aos ferimentos.

Wolfe continua em estado crítico, lutando pela vida, conforme informou Trump.

Ambos haviam sido deslocados para Washington como parte de uma operação federal contra o crime.

Revisão de Permissões

Na quinta-feira, Trump ameaçou revogar milhões de permissões concedidas durante a administração do ex-presidente Joe Biden, intensificando sua postura contra a imigração.

O USCIS comunicou que revisará os vistos de residência permanente (conhecidos como “green cards”) emitidos para migrantes dos 19 países mencionados pelo Departamento de Segurança Nacional.

Mais de 1,6 milhão de titulares de “green cards”, quase 12% da população residente permanente, nasceram nesses países.

O Afeganistão, com mais de 116 mil titulares, está incluído em uma suspensão total do processamento de pedidos de imigração, imposta após o ataque.

Segundo chefes do FBI, CIA e Departamento de Segurança Interna, Lakanwal entrou nos EUA sem supervisão adequada devido à política de asilo mais flexível adotada pelo governo Biden após a retirada caótica do Afeganistão.

Entretanto, o grupo AfghanEvac, que auxiliou afegãos a se estabelecerem nos Estados Unidos, declarou que os candidatos provenientes do Afeganistão passaram por alguns dos processos de segurança mais rigorosos entre todos os imigrantes.

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