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88% das escolas fiscalizadas na blitz da merenda não têm alvará da Anvisa

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Relatório do TCE aponta que 92% das unidades não têm auto dos bombeiros. Fiscalização encontrou até escorpião em uma escola do interior de SP.

O relatório da fiscalização feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em quase 200 escolas públicas de São Paulo para saber como anda a merend apontou que 88% delas não têm alvará da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no prazo de validade, assim como 92% não tem o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros atualizado (veja a íntegra do relatório do TCE).

Os fiscais visitaram escolas técnicas, estaduais e municipais que, juntas, alimentam mais de 500 mil estudantes. Eles encontraram escorpião e até alimentos vencidos.

Segundo o relatório, das 190 escolas fiscalizadas, 168 não tinham o alvará da Anvisa e 175 não tinham o alvará dos bombeiros. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo diz que não teve acesso ao relatório do TCE e que mantém constantes fiscalizações nas unidades.

O TCE aponta ainda que 92,5% das escolas fiscalizadas têm Conselho de Alimentação Escolar, mas em apenas 48,5% o conselho fiscaliza as condições da merenda.

Segundo o relatório, em uma a cada três escolas fiscalizadas as merendeiras não estavam vestidas adequadamente, com avental, touca, luvas e sapatos antiderrapantes.

O serviço de merendeiras é próprio em 65% das escolas e terceirizado em 28%.

Em 92% o cardápio da merenda foi elaborado por uma nutricionista, mas em apenas 20% das escolas a nutricionista estava na escola durante o preparo da merenda e da refeição. A nutricionista acompanha a chegada dos alimentos em 55% das escolas.

Em 32% das escolas há cardápio especial para alunos que necessitam de atenção nutricional. E em apenas 10,5% das escolas foram encontrados cardápios divididos por faixa etária.

O TCE relatou que 71% dos refeitórios atendem às condições de higiene e limpeza, e 32% das cozinhas não tem preparo adequado para fornecimento de gás e limpeza.

Escorpião

Fiscais encontraram um escorpião no meio da merenda (Foto: TV Globo/Reprodução)

Um escorpião foi encontrado no meio dos alimentos na Escola Municipal Adalberto Christo das Dores, em Itapetininga, no interior de São Paulo.

Na cozinha da Escola Municipal Professor Florestan Fernandes, em Diadema, no ABC paulista, as merendeiras preparavam os alimentos sem as luvas. O Bom Dia São Paulo foi à escola nesta quarta-feira (1º) e constatou que nem bebedouro tem, e os alunos levam garrafas de água para não ter de beber a água da torneira.

Na Escola Municipal Professora Rosa Ruth Ruggia Martins, em Osvaldo Cruz, também no interior, os fiscais encontraram bolacha vencida desde janeiro.

No refeitório dos alunos da Escola Estadual Professor Baudilio Biagi, em Ribeirão Preto, tem um bueiro de esgoto perto da mesa onde os alunos comem. A secretaria disse que a reforma será feita.

Na ETEC Paulinho Botelho, em São Carlos, tinha um pombo na despensa da escola técnica, onde os alimentos são estocados. Não foi o único problema. Na Escola Estadual Dona Maria Carolina de Lima, em Nuporanga, no interior, o teto estava totalmente mofado. Segundo a secretaria, o mofo foi causado por um problema na calha que está sendo solucionado.

Rompimento de acordo
No início de maio, o TCE fez uma cobrança às 25 prefeituras que romperam um acordo com a gestão estadual da merenda, abrindo mão do convênio com a secretaria estadual da Educação para fornecimento da merenda. O Tribunal, na ocasião, deu 15 dias para o governo de Geraldo Alckmin e as prefeituras responderem sobre os motivos do rompimento do acordo.

Estudantes ocuparam, em 4 de maio, a Assembleia Legislativa do Estado, em um protesto pedindo a instauração de uma CPI para apurar a máfia da merenda. O Ministério Público e a Polícia Civil do estado investigam desde janeiro um esquema envolvendo uma cooperativa – a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) – que fornecia de forma superfaturada para prefeituras o fornecimento de suco de laranja.

Políticos e funcionários das prefeituras são suspeitos de receberem propina para facilitarem a contratação da cooperativa.

Em uma Etec foi encontrado um pombo dentro da sala onde as merendas são armazenadas (Foto: TV Globo/Reprodução)

Em uma Etec foi encontrado um pombo dentro da sala onde as merendas são armazenadas (Foto: TV Globo/Reprodução)

Escola em Ribeirão Preto tem bueiro de esgoto perto da mesa do refeitório dos alunos (Foto: TV Globo/Reprodução)

Escola em Ribeirão Preto tem bueiro de esgoto perto da mesa do refeitório dos alunos (Foto: TV Globo/Reprodução

 

Escola tem merendeiras fazendo comida sem luvas (Foto: TV Globo/Reprodução)

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