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Ataque com drones no terminal de petróleo russo para operações
Um dos principais terminais de petróleo da Rússia suspendeu suas operações neste sábado (29) após um ataque realizado com drones navais, coincidindo com a preparação para um novo encontro entre diplomatas americanos e ucranianos visando o fim do conflito na Ucrânia.
Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, e Steve Witkoff, enviado especial do ex-presidente Donald Trump, estarão reunidos no domingo (30) na Flórida com representantes ucranianos, conforme informado por um funcionário americano à AFP.
Volodimir Zelensky, presidente da Ucrânia, anunciou que uma equipe da Ucrânia está a caminho dos Estados Unidos para discutir o plano americano de encerramento da guerra com a Rússia. Nesta missão, Rubio e Witkoff deverão ser acompanhados por Jared Kushner, genro de Trump.
O encontro ocorre em meio à turbulência política interna na Ucrânia, com a recente saída do braço direito de Zelensky, responsável por liderar a delegação, e o aumento das hostilidades entre os lados em conflito.
Na manhã de sábado, diversas regiões ucranianas foram atingidas por ataques com drones e mísseis russos que resultaram em três mortes e danos em vários prédios na capital, Kiev, de acordo com autoridades locais.
Explosões noturnas mantiveram a população alerta, culminando em um apagão que afetou cerca de meio milhão de residências, informou o Ministério da Energia. De acordo com relatos, moradores ouviram estrondos fortes e sofreram perdas materiais.
Timur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade, qualificou esses atos como tentativas russas de amedrontar a população civil.
Além disso, um importante terminal petrolífero no porto russo de Novorossiysk, às margens do Mar Negro, foi atacado por drones marítimos. O Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), que inclui empresas americanas como Chevron e ExxonMobil, classificou o incidente como um ato terrorista.
Em consequência, um dos pontos de atracação do terminal foi desativado temporariamente, com previsão de retomada das operações assim que as ameaças forem neutralizadas.
O oleoduto do CPC, que se inicia no Cazaquistão, é crucial para o transporte do petróleo cazaque e representa cerca de 1% do fornecimento global, sendo um dos maiores em volume.
A Ucrânia não comentou publicamente a ação no terminal, mas assumiu responsabilidade pelos ataques recentes contra dois petroleiros no Mar Negro que transportavam petróleo russo, ocorridos em frente à costa da Turquia.
Segundo fonte da agência de segurança ucraniana SBU, drones navais foram efetivamente usados para atacar as embarcações.
Crise e desafios políticos
As tensões contínuas entre Rússia e Ucrânia complicam a viabilidade do plano de paz proposto pelos Estados Unidos para pôr fim a quase quatro anos de conflito.
Zelensky revelou que sua equipe está indo aos Estados Unidos para revisar a proposta, inicialmente vista como demasiado favorável à Rússia.
Recentes negociações em Genebra envolvendo americanos, ucranianos e europeus buscaram modificar o plano original, que contemplava significativas concessões territoriais e redução das forças armadas ucranianas.
O momento é delicado para Zelensky, face a um escândalo de corrupção que abalou seu governo e à perda de território na linha de frente.
Na sexta-feira, o presidente da Ucrânia demitiu seu chefe de gabinete, Andrii Yermak, após buscas da unidade anticorrupção em sua residência.
Este caso está vinculado a um esquema de corrupção no setor energético, que levou a várias prisões e à queda de dois ministros, segundo opositores.
Investigadores apontam para um sistema criminoso organizado por um aliado próximo de Zelensky, desviando cerca de 100 milhões de dólares do setor energético.
Zelensky impôs sanções contra o principal suspeito, Timur Mindich, ex-sócio e amigo do presidente.
Deputados da oposição afirmam que Yermak aparece em gravações de envolvidos, atribuídas a ordens para pressionar os órgãos anticorrupção.
O analista político Volodimir Fessenko avalia que o escândalo enfraquece a posição da Ucrânia nas negociações, e acredita que a Rússia explorará essa fragilidade.


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