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Brasil melhora no Ideb, mas não alcança metas de 2021 em duas etapas

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O Brasil apresentou progresso no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas avaliadas, embora não tenha cumprido duas das metas para 2021, consideradas as últimas estipuladas. No ensino médio, o país não alcançou nem mesmo o objetivo previsto para 2017.

Desde sua criação em 2007, o Ideb é o principal parâmetro para medir a evolução da educação no país, considerando a aprendizagem dos alunos, avaliada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e a taxa de aprovação escolar. As metas foram definidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014, válido até o final de 2025.

Os dados divulgados mostram que apenas a meta dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) foi superada, com o país atingindo nota 6,3 em 2025, acima do esperado para 2021 que era 6.

Desempenho por etapas

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota alcançada foi 5,3, um pouco abaixo da meta de 5,5. Já o ensino médio foi a etapa mais distante do objetivo, com nota 4,5 em 2025, abaixo da meta de 5,2 para 2021, e também inferior às metas de 2019 e 2017.

O novo PNE, sancionado recentemente, substituiu o Ideb por um novo critério de avaliação baseado na proporção de alunos que alcançam níveis básicos e adequados de aprendizagem, deixando de estabelecer metas no Ideb após 2021.

Em processo de atualização desde o ano passado, o Ideb deverá incluir, segundo Manuel Palácios, presidente do Inep, questões dissertativas além das tradicionais de múltipla escolha, assim como uma revisão na fórmula de cálculo, ainda em definição.

Aprendizagem e aprovação

A avaliação do Saeb, divulgada junto com o Ideb, indicou melhora nos resultados de Português e Matemática, que retornaram a níveis semelhantes aos de 2019. A taxa de aprovação também aumentou: 98,3% nos anos iniciais, 96,2% nos anos finais e um salto no ensino médio de 91,3% para 94,8%. Contudo, essa melhoria foi em parte impulsionada por flexibilizações nas regras de reprovação em vários estados, que permitem aos alunos avançar mesmo com reprovações em diversas disciplinas. O Pará foi pioneiro ao permitir reprovações em cinco matérias sem retenção, estratégia adotada também por outros estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Desafios regionais

O Rio de Janeiro, que adotou essas flexibilizações, registrou o menor índice de aprendizagem do país no ensino médio, apesar de um aumento no Ideb devido à maior aprovação. O estado permanece entre os últimos colocados, empatado com outros estados como Roraima e Amazonas.

Em contrapartida, o Paraná se destacou com as maiores notas do Ideb nas redes públicas em todas as etapas avaliadas, sem recorrer a flexibilizações, e lidera os índices de aprendizagem.

Perspectivas

Ao apresentar os resultados em Brasília, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que um novo plano de metas será lançado em outubro, priorizando o avanço na proficiência dos alunos. Ele explicou que as metas serão mais ambiciosas, tendo em vista que os desafios de acesso e fluxo escolar foram reduzidos nos últimos anos.

Leonardo Barchini também mencionou que cerca de 442 municípios que não atingiram a nota mínima receberão assistência técnica personalizada para melhorar a qualidade da educação. Apesar dos avanços na taxa de aprovação, especialistas alertam que a flexibilização pode ter influenciado os resultados, embora Manuel Palácios defenda que houve progresso substancial na aprendizagem na maioria dos estados.

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