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Campanha de Lula vai reduzir uso de IA e se opõe a Flávio
Integrantes da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informam que o emprego de Inteligência Artificial (IA) nas peças divulgadas durante as eleições será restrito. O objetivo é contrapor-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal concorrente do petista, que tem adotado frequentemente esse recurso.
Nos bastidores, a campanha pretende evitar o uso de IA especialmente em materiais com a participação do Lula, com a intenção de mostrar que o pré-candidato petista é uma pessoa real, em contraste com o personagem de Flávio, que aparece em vídeos de IA pilotando aviões e com visual militar.
Aliados de Lula destacam a importância de alertar sobre os perigos do uso da inteligência artificial para espalhar desinformação e manipular informações por meio de montagens. Apesar dessa orientação da equipe de comunicação da campanha, o PT e os apoiadores do presidente têm utilizado IA em vídeos divulgados nas redes.
Desde o ano passado, grupos alinhados ao PT têm divulgado vídeos com uso de IA que criticam o Congresso e certos parlamentares, além de associar adversários políticos do Lula a escândalos financeiros. Um desses vídeos chegou a ser exibido em evento organizado pelo PT neste ano.
O próprio Lula já manifestou preocupação quanto ao uso da IA em discursos políticos. Recentemente, ele declarou que, nas eleições, “as pessoas precisam votar numa coisa verdadeira, de carne e osso” e que não devem “votar numa mentira”.
— Se quisermos, poderíamos fazer um Lula artificial realizar comícios em 27 estados simultaneamente. Eu estaria presente, porém ausente. Um cidadão que aprendeu valores com a dona Lindu não aceitaria o uso de inteligência artificial para campanhas, pois a política exige olhar nos olhos das pessoas e permitir que o eleitor veja quem está falando a verdade — afirmou Lula durante evento na Bahia, em maio.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, que também integra a coordenação do petista, diz que o uso da IA em campanhas eleitorais não é problemático por si só, mas a questão reside na forma e no propósito de seu uso.
— Quando usada como apoio técnico, ferramenta de edição ou para aprimorar conteúdos, a IA é bem-vinda. O que a legislação proíbe, e o que estamos alertando a Justiça Eleitoral, é o uso que a extrema-direita tem feito para deepfakes, montagens exageradas, ataques pessoais, distorção da verdade e desinformação — explicou.
Valadares acrescenta que há preocupação com as táticas da campanha adversária, que utiliza IA para manipular a percepção do público sobre a realidade e questionar a integridade das eleições.
Aliados de Lula admitem apreensão sobre o uso da inteligência artificial durante a eleição, tendo em vista que as grandes empresas de tecnologia estariam mais alinhadas à direita globalmente.
Campanhas digitais
Em junho, o PT lançou a plataforma “Porta-Vozes do Lula”, destinada a organizar a militância digital, unificar o discurso governista e ampliar a presença do presidente nas redes, combatendo o bolsonarismo. Essa iniciativa é formada por grupos em aplicativos de mensagens que recebem conteúdos para divulgação e tarefas específicas.
Um dos parlamentares presentes no lançamento foi André Janones (Rede-MG), conhecido por sua atuação combativa contra o bolsonarismo nas redes. Ele aconselhou os apoiadores a não responderem a notícias falsas e a criarem versões alternativas dos fatos.
Janones tem métodos controversos, até mesmo entre aliados, devido à sua linguagem agressiva e distorcida. No evento do PT, afirmou que “desviar o foco não é mentir”, e que significa contar outra história com visão diferente, declaração que gerou críticas dos apoiadores de Flávio.
Por sua vez, a campanha do senador Flávio Bolsonaro utiliza com frequência conteúdos gerados por IA. Em um vídeo, ele aparece pilotando uma aeronave e atirando contra embarcações ligadas ao PCC, CV e ao PT.
Essa peça motivou uma representação do PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando o senador de uso indevido de inteligência artificial e propaganda eleitoral antecipada.

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