Economia
Conselho da Meta alerta para não trocar checagem jornalística por notas da comunidade
O Conselho de Supervisão da Meta solicitou que o grupo de tecnologia mantenha seu programa de checagem de fatos feito por jornalistas profissionais, evitando substituí-lo pelas “notas da comunidade” propostas recentemente para 16 países da América Latina.
Em uma declaração consultada pela AFP neste sábado, o conselho destacou que a checagem profissional e as notas da comunidade cumprem funções diferentes e se complementam, mas não devem ser confundidas. O conselho frisou que essas notas podem ser manipuladas ou causar efeitos negativos, especialmente em contextos de regimes autoritários ou sociedades altamente polarizadas.
Por isso, o conselho pediu que a Meta não apresente as notas da comunidade como um substituto direto da checagem jornalística. A iniciativa da Meta, liderada por Mark Zuckerberg, foi anunciada na quarta-feira e está em fase de testes em 16 países da América Latina como parte de uma transição do atual modelo.
Essa mudança ocorre em um momento de ascensão dos governos de direita e extrema direita na região, liderados por figuras políticas que usam as redes sociais para fortalecer sua imagem e divulgação, em meio a altos níveis de desinformação.
O conselho alertou que, apesar das notas da comunidade poderem contribuir para debates e liberdade de expressão, elas podem também causar danos em situações de repressão, violência política e presença massiva de desinformação. Assim, a decisão de avançar para uma implementação ampla deve medir os riscos específicos em cada país.
Os países onde o teste está ocorrendo incluem Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, país com eleições presidenciais próximas, não está incluído.
A AFP faz parte do programa de checagem profissional do Facebook, contratando diversos meios para verificar fatos globalmente. Recentemente, essa mudança na política da Meta foi criticada pela Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN), que acredita que o programa atual não é suficiente para combater a desinformação em ambientes com alta circulação de notícias falsas.

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