Economia
Dólar mantém estabilidade com eleições no foco
Após registrar na terça-feira a pior performance entre as moedas mais negociadas, o real apresentou variações pequenas nesta quarta-feira (5) e fechou quase estável, apesar da tendência global de queda do dólar americano.
Especialistas indicam que a cautela em relação ao cenário interno impediu que o real aproveitasse o aumento do interesse por moedas de mercados emergentes, em um pregão marcado pela relativa estabilidade dos preços do petróleo.
Além de aguardarem sinais do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre uma possível continuação do ajuste da taxa básica no comunicado desta quarta à noite, que deve anunciar uma redução da Selic em 0,25 ponto percentual, os investidores analisaram pesquisas eleitorais e a definição do candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Com mínima de R$ 5,0989 e máxima de R$ 5,1342, o dólar à vista fechou a R$ 5,1282 (-0,05%). Após registrar queda de 1,79% em julho, a moeda americana acumula alta de 1,14% nos três primeiros dias úteis de agosto, influenciada pelo avanço de 0,86% na terça-feira, quando ultrapassou R$ 5,13, alcançando o maior valor desde 13 de julho.
O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, comenta que a probabilidade de reeleição do governo atual, indicada pelas pesquisas eleitorais, limita a valorização do real.
“O desafio fiscal é grande, e não se espera mudança na política econômica em caso de reeleição. A procura por proteção tende a crescer nos próximos meses”, afirma.
Uma pesquisa Genial/Quaest revelou a redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, embora dentro da margem de erro. Lula oscilou de 45% para 44%, enquanto o candidato do PL avançou de 37% para 39%.
Sem conseguir incorporar a ex-presidente da Caixa Daniella Marques em sua chapa, devido à neutralidade do Republicanos, Flávio Bolsonaro anunciou na manhã desta quarta o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice.
“A escolha do vice não agradou muito o mercado, limitando a queda do dólar. Também há cautela em relação à decisão do Copom”, observa o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos.
Para o chefe de estratégias de mercado do banco ING, Chris Turner, a maior ameaça para o real são as eleições presidenciais, pois os candidatos que lideram as pesquisas não parecem comprometidos com a austeridade fiscal.
“Entretanto, os investidores recebem uma boa remuneração para manter posições em real”, destaca Turner.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,15% por volta das 17h, aos 99,711 pontos, após registrar mínima de 99,628 pontos. O relatório ADP mostrou que o setor privado nos EUA criou 44 mil empregos em julho, queda em relação à expectativa de 75 mil.
Investidores aguardam o relatório oficial de emprego (payroll) desta sexta-feira, 7, para ajustar as previsões sobre as próximas ações do Federal Reserve.
Após a queda desta quarta, os preços do petróleo tiveram oscilações menores. Apesar da remoção de sanções dos EUA contra o Irã, foram reportados ataques no Oriente Médio.
O contrato de Brent para outubro subiu 0,11%, para US$ 79,45 por barril, mas ainda registra queda de dois dígitos na semana.
O banco Citi observa que as moedas da América Latina têm acompanhado em grande parte a oscilação dos preços do petróleo. “As variações nas condições de troca beneficiam o peso chileno e pressionam o real”, afirma o banco em relatório.


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