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entenda as divergências nas versões dos filhos sobre o filme de Bolsonaro

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Nos últimos dias, as versões apresentadas pelos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dos envolvidos na produção do filme “Dark Horse” têm aumentado a polêmica sobre o financiamento do longa.

Mensagens do senador e presidenciável solicitando repasses ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para finalizar o projeto, vieram à tona, fazendo com que produtores, parlamentares e empresas associadas ao filme oferecessem explicações divergentes acerca da origem dos fundos, dos contratos envolvidos e da forma como os pagamentos foram feitos.

Essas declarações conflitantes fizeram com que a Polícia Federal (PF) intensificasse as investigações sobre o destino do dinheiro, deixando diversas perguntas sem resposta até o momento.

Principais pontos investigados

A investigação tenta determinar se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas e administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados unicamente para produzir o filme ou também auxiliaram nos custos da permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado recursos a Vorcaro para o longa, qualificando a informação como falsa, mas posteriormente confirmou a busca por patrocínio privado e a existência de um contrato envolvendo o banqueiro.

— Sim, houve um contrato — afirmou o senador.

Após isso, em entrevista à GloboNews, ele explicou que o tema não havia sido tratado publicamente antes devido a cláusulas de confidencialidade no acordo.

Contratos e formalizações

Uma indefinição central destaca a formalização do investimento autorizado por Vorcaro. Flávio mencionou que o banqueiro “possui um contrato” e que deixou de pagar parcelas previstas para o filme.

Já o deputado e produtor-executivo Mario Frias assegurou que o acordo não foi firmado diretamente com Vorcaro nem com o Banco Master, mas com a empresa Entre Investimentos, definida por ele como uma entidade jurídica independente.

Isso gerou dúvidas sobre as partes envolvidas, quem assinou os documentos e a estrutura legal dos aportes.

Transferência dos recursos

Há controvérsia em relação ao repasse efetivo dos valores. Flávio Bolsonaro mencionou parcelas pagas por Vorcaro e admitiu que o financiamento precisou ser complementado por outros investidores. A produtora GoUp, responsável pelo longa, ressalta que negociações não significam necessariamente transferência do montante, não confirmando o valor aportado pelo banqueiro.

Uma posição distinta foi apresentada pelo publicitário Thiago Miranda, que afirmou ter intermediado a negociação e disse que Mario Frias buscava mais investidores para finalizar o projeto. Relatórios revelam transferências na ordem de R$ 61 milhões.

Função do fundo no Texas

Para esclarecer o caminho do dinheiro, Flávio declarou que os recursos foram enviados ao Havengate Development Fund LP, ligado a um advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Segundo o senador, o fundo foi criado exclusivamente para financiar o filme.

Porém, a PF investiga se o valor foi destinado só ao longa ou também para financiar despesas relacionadas à permanência de Eduardo nos Estados Unidos, o que este nega.

Documentos e depoimentos recentes sugerem que Eduardo Bolsonaro pode ter atuado como produtor-executivo do filme, reanimando a investigação.

Relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

A dimensão da ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também gerou questionamentos. O senador afirma que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que o contato foi restrito às tratativas do financiamento.

Mais recentemente, ele admitiu a possibilidade de que novas conversas ou encontros possam vir à tona.

— Podem surgir novas conversas ou até vídeos de encontros. Tudo relacionado somente ao filme — declarou em entrevista à CNN Brasil.

Sobre o número de encontros, Flávio disse não precisar ao certo, mas acredita que foram poucos, aumentando as dúvidas sobre a profundidade do relacionamento e possíveis outras interações além do financiamento.

Ligação entre o filme e emendas parlamentares

A crise se ampliou com a apuração preliminar aberta pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre emendas parlamentares destinadas por deputados do PL a uma ONG vinculada à sócia da produtora responsável pelo filme.

Foram destinados R$ 2,6 milhões em 2024, por meio de emendas via Pix. O STF avalia se houve quebra das regras de transparência e rastreabilidade para esses repasses, sem relação direta com os fundos privados de Daniel Vorcaro, mas levantando dúvidas sobre possíveis misturas de recursos públicos e privados ligadas à produção.

Quem investiu no filme?

O projeto contou com mais de uma dezena de investidores privados, segundo os envolvidos. Contudo, ainda não foi divulgada uma lista detalhada dos financiadores, valores investidos ou do mecanismo de prestação de contas — algo que Flávio Bolsonaro afirmou desejar que seja apresentado.

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