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EUA atacam Irã e país promete retaliação

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Novos confrontos ocorreram entre os Estados Unidos e o Irã nesta quinta-feira (9), pouco antes do enterro do líder supremo Ali Khamenei. O Irã lançou ataques contra aliados dos EUA na região, enquanto os americanos bombardearam áreas próximas a uma usina nuclear iraniana.

Esses ataques americanos, apesar de um acordo firmado em 17 de junho entre os dois países, causaram 17 mortes, conforme informado pelas autoridades iranianas.

O Irã agora pretende cobrar taxas dos navios que passam pelo Estreito de Ormuz, algo que não fazia antes dos ataques israelenses e americanos em 28 de fevereiro, que deram início ao atual conflito.

A República Islâmica afirmou que retomou seus ataques contra alvos americanos no Kuwait, Bahrein e Catar, enquanto sirenes soaram na Jordânia, também aliada dos Estados Unidos, onde o Exército interceptou oito mísseis lançados do Irã.

Esses confrontos ocorreram enquanto o Irã se preparava para o enterro de Ali Khamenei, que faleceu acompanhado de familiares próximos no primeiro dia da guerra contra o Irã.

O renovado conflito influenciou os preços do petróleo, com o barril de Brent do Mar do Norte subindo 1,3%, alcançando 79,05 dólares (407 reais), e o WTI, equivalente americano, aumentando 1,2%, para 74,38 dólares (383 reais) às 11h00 GMT (8h no horário de Brasília).

No último dia das seis cerimônias fúnebres, o enterro de Ali Khamenei em sua cidade natal, Mashhad, foi acompanhado de perto, especialmente em busca de sinais de seu filho Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu publicamente desde que foi nomeado sucessor de seu pai como líder supremo.

Multidões vestidas de preto, clamando por vingança, se reuniram segurando faixas com palavras de ordem como “haverá sangue”, relataram correspondentes.

Acusações e ataques

Os Estados Unidos bombardearam o perímetro da única usina nuclear civil do Irã nesta quinta-feira, reportou a televisão estatal iraniana, citando o vice-governador da província de Bushehr.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques americanos, que atingiram infraestruturas civis como pontes ferroviárias, como um “crime de guerra flagrante”.

Autoridades militares dos EUA afirmaram que aproximadamente 90 alvos militares iranianos foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones.

O exército iraniano afirmou ter atacado sistemas de defesa Patriot no Kuwait, um sistema de alerta no Catar e depósitos de combustível no Bahrein como parte de suas ofensivas contra bases americanas na região.

A Guarda Revolucionária do Irã acusou os Estados Unidos de tentar distrair a atenção do enterro de Ali Khamenei com ataques às pontes ferroviárias, o que suspendeu os serviços de trem.

Após as cerimônias em Teerã, Qom e nas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala, o caixão de Ali Khamenei foi levado para Mashhad para seu enterro final.

Nova liderança em meio à tensão

As despedidas a Ali Khamenei, que governou o Irã por mais de 30 anos, deram indícios sobre a configuração da nova liderança, que busca demonstrar unidade entre líderes políticos e militares.

No entanto, ainda não há aparições públicas de Mojtaba Khamenei, que tem se comunicado apenas por escrito e que, segundo autoridades, foi ferido nos bombardeios de fevereiro.

Como medida de segurança, pelo menos um avião de combate escoltou a aeronave que transportava o caixão de Khamenei até Mashhad.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu antigo avião presidencial para deixar a Turquia após cúpula da Otan, uma decisão interpretada como precaução diante do atual clima de tensão.

Trump declarou que o cessar-fogo com o Irã está terminado, mas deixou aberta a possibilidade para novas negociações.

O chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que “se atacarem, serão atacados”.

Recentemente, as forças armadas do Irã atacaram pelo menos três navios, provocando bombardeios americanos contra alvos iranianos.

O acordo de cessar-fogo, firmado no mês passado, é considerado muito instável, mas especialistas afirmam que nenhuma das partes possui melhores alternativas que a negociação diplomática.

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