Economia
Ibovespa cai ligeiramente antes da decisão do Copom
Após iniciar a manhã com um avanço sólido acima de 1%, o Ibovespa perdeu força acompanhando o cenário internacional e fechou a quarta-feira próximo da estabilidade, com os investidores demonstrando cautela antes da decisão do Banco Central sobre a política monetária.
O índice principal da B3 encerrou o pregão com uma baixa de 0,09%, aos 177.726,17 pontos, oscilando entre 177.690,45 e 180.194,51 pontos ao longo do dia.
A expectativa predominante entre os especialistas do mercado é por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
No entanto, mais do que a redução em si, o que realmente influencia o mercado é o teor do comunicado oficial, principalmente depois que a última decisão em junho trouxe um “tom confuso” por parte da autoridade monetária.
Mônica Araújo, economista-chefe da Investsmart XP, comenta: “O mercado aguarda uma comunicação mais clara. Temos observado uma desaceleração nos indicadores econômicos, porém a inflação projetada ainda permanece acima da meta de 3%.”
Durante o dia, os investidores começaram a precificar o corte da taxa básica de juros, adotando posições mais conservadoras para se proteger e evitar surpresas na decisão.
Leonardo Morales, diretor da SVN Gestão, acrescenta: “O comunicado anterior trouxe algumas incertezas. Agora, o que o mercado espera é que o Banco Central ou interrompa os cortes na Selic ou deixe essa possibilidade em aberto.”
No exterior, os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam em baixa, após um início de mês forte impulsionado pelos resultados corporativos, enquanto seguem atentos às negociações em curso entre Estados Unidos e Irã a respeito do Estreito de Ormuz.
Apesar de sinais de possível trégua, o cenário ainda é volátil, impactando especialmente o mercado de commodities. O petróleo continuou em queda, abaixo de US$ 80 por barril, o que pesou negativamente sobre as ações da Petrobras.
Por outro lado, a boa performance do Itaú, especialmente na rentabilidade do segundo trimestre, ajudou a conter uma queda mais acentuada do Ibovespa, segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
O dia também foi marcado por notícias políticas, com a pesquisa Genial/Quaest indicando uma leve melhora para Flávio Bolsonaro (PL) em comparação ao presidente Lula.
A indicação do deputado Alfredo Gaspar como vice na chapa foi uma surpresa para o mercado, apesar de seu impacto limitado nos negócios.
Bruno Perri ressalta: “Esta escolha foi uma surpresa um pouco negativa para os que acompanham a candidatura de Flávio, mas não tem influenciado o humor do mercado.”
Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, complementa: “A eleição que ocorrerá em dois meses é decisiva, porém a melhora marginal nas intenções de voto para Flávio ainda não provocou mudanças significativas nos preços.”


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