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MBL quer criar nova direita com partido, sem espaço para ‘jovem de terno’
O evento anual do Movimento Brasil Livre (MBL) evoluiu para um festival ocorrido no mesmo mês em que a organização liberal se tornou oficialmente um partido político, após aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 4 de novembro.
A primeira edição do festival do MBL aconteceu no sábado, 29 de novembro, em antigos galpões industriais transformados em um espaço de 12 mil metros quadrados para eventos na Zona Leste de São Paulo. Conforme os organizadores, o festival, que contou com painéis, debates e sessões de autógrafos, além de uma festa posterior, atraiu cerca de 3,6 mil pessoas de todo o Brasil.
O local principal do evento era um palco em 360º, cercado pelo público que pagou R$49,90 para participar. De um lado do palco, havia uma bandeira de Pernambuco; do outro, o estande do MBL do Paraná, onde eram vendidos itens como canetas, chaveiros, camisetas e obras de arte plástica abstrata feitas por membros do núcleo paranaense que se identificam como integrantes do movimento hippie.
A principal fonte de recursos do MBL é justamente esse encontro anual, que além de reunir milhares de pessoas, comercializa acessórios e souvenirs, e atrai novos integrantes. Outra aposta importante do grupo é a venda da revista Valete.
Painéis, debates e ideias
Em um ambiente descontraído, com cerveja e food trucks, os principais temas do país foram debatidos. O painel inicial contou com a presença do pré-candidato à presidência da República, Renan Santos, e os pré-candidatos ao governo do Rio de Janeiro, o bombeiro Rafa Luz e o Sargento Martins, da Polícia Militar do Rio.
O coronel João Jacques Busnello, que prestou duas continências militares antes de subir ao palco, participou do debate. Ele foi candidato a deputado federal em 2022 pelo PSD do Rio de Janeiro. Também estiveram presentes o advogado e professor de direito constitucional Acácio Miranda e Renato Batista, coordenador nacional do MBL, do partido Missão, e suplente de deputado estadual em São Paulo. Batista fez uma corrida rápida para subir ao palco, gerando uma piada do pré-candidato Renan Santos, que disse “Oferecimento Ozempic”, em referência a um medicamento para diabetes usado no emagrecimento.
Um mês após uma grande operação no Complexo do Alemão e na Penha que resultou em mais de 120 mortes, foi discutida a segurança pública, incluindo temas como a retomada de territórios dominados por criminosos e a letalidade policial – lamentando a morte de quatro policiais na operação.
Espaço Valete e outras ideias
Enquanto isso, no “espaço Valete”, um grupo menos proeminente discutia o painel “questionando a democracia”, afirmando que tudo que não está vinculado ao PT, ao Judiciário e ao aumento da burocracia estatal é frequentemente visto como antidemocrático no país.
O partido Missão foi fundado com diretrizes contidas em um “livro amarelo”. A vereadora de São Paulo, Amanda Vettorazzo, filiada ao União Brasil mas que espera migrar para o Missão, mencionou propostas como industrialização, combate ao crime organizado através da “desfavelização” e criação de índices para avaliar emendas parlamentares.
“O partido Missão surgiu de uma proposta clara. Essa é a nossa principal crítica aos presidenciáveis: falta de um projeto de país. Escrevemos um livro e agora vamos transformar isso em ação concreta”, afirmou Amanda.
Quem participou do festival
O público tinha em sua maioria jovens entre 20 e 35 anos, predominantemente homens, com algumas mulheres presentes. As vestimentas variavam entre camisas com frases de ordem como “prendeu, matou”, camisas de times, trajes inspirados em desenhos orientais e camisetas com imagens de ídolos do MBL, como o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).
Segundo Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei” e porta-voz do movimento, o que atrai a militância ao MBL é o “mesmo propósito”. O objetivo do grupo é promover um debate descontraído de direita.
“A maioria são jovens. Pode até ter pessoas mais velhas, mas elas foram influenciadas pelos jovens. Nós não queremos ‘jovens de terno'”, disse do Val.
Ele destacou que o movimento não se apoia em popularidade pessoal, mesmo diante de polêmicas recentes envolvendo seu nome, como o caso de áudios em que fez comentários controversos sobre mulheres ucranianas, que resultaram em sua perda do mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Recentemente, o MBL teve que se defender da acusação contra Cristiano Beraldo, integrante do grupo e cotado para candidatura presidencial pelo partido Missão, que está investigado por suposto envolvimento em um esquema bilionário de sonegação de impostos.
Entrevista com Kim Kataguiri
Kim Kataguiri, um dos principais articuladores do partido do MBL, comentou que o evento mostrou a força do partido, reunindo mais de 3 mil pessoas e estabelecendo a intenção de lançar chapas para deputado federal em todos os 27 estados.
Ele apontou os desafios do partido, como a falta de tempo de televisão e a ausência em debates obrigatórios, mas destacou que a militância e a coerência são atributos fortes da legenda.
Kataguiri afirmou ainda que o partido preenche um espaço importante para eleitores que não querem votar em Lula nem em Bolsonaro.
Sobre o caso de Cristiano Beraldo, disse que o mesmo se afastou voluntariamente do movimento e que as investigações ainda não apontaram envolvimento direto dele com as acusações.


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