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Nobel inicia temporada com cuidado após controvérsia Trump
O Comitê Norueguês do Nobel, ainda se recuperando das repercussões envolvendo Donald Trump, prossegue com cautela ao aproximar-se da entrega do Prêmio da Paz, evento principal da temporada de premiações, que tem início na segunda-feira (5) com o Nobel de Medicina.
A campanha intensa de Donald Trump a favor de sua indicação gerou uma pressão sem precedentes ao comitê no ano anterior. A dúvida que resta é: por quanto tempo seu nome continuará vinculado a esse respeitado prêmio?
A situação complicou-se ainda mais quando a ganhadora de 2025, a líder opositora venezuelana María Corina Machado, entregou ao ex-presidente republicano sua medalha de ouro, reconhecendo seus méritos após a captura do presidente Nicolás Maduro numa ação militar em Caracas.
Após esses acontecimentos, o Comitê do Nobel está ciente de que Trump observará atentamente a decisão deste ano.
De acordo com Kristian Berg Harpviken, secretário do comitê, “é comum haver grande lobby e até tentativas de influenciar a decisão. Estamos habituados a isso.”
Crianças, jornalistas e justiça como foco
Especialistas acreditam que o contexto atual levará o comitê a escolher, em 9 de outubro, um premiado que não cause polêmica.
Haakon Gjerløw, diretor do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (PRIO), avalia que a prioridade deste ano é evitar controvérsias. Seu palpite é que o Nobel da Paz será compartilhado entre a organização Save the Children e o ucraniano Mikola Kuleba, que luta pelo retorno das crianças ucranianas sequestradas ou transferidas à força pela Rússia.
Essa escolha poderia também agradar à primeira-dama americana, Melania Trump, que em 2025 enviou uma carta ao presidente russo Vladimir Putin pedindo a libertação dessas crianças.
Outros candidatos preferidos do PRIO incluem a rede voluntária Sudão Emergency Response Rooms (ERR), o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) devido ao ano violento para a profissão, e até mesmo a Estação Espacial Internacional.
Se o comitê decidir desafiar Trump, poderá conceder o prêmio à relatora especial da ONU para territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, ao Tribunal Penal Internacional ou ao papa Leão XIV.
Possível homenageada na Literatura
O Nobel de Literatura será anunciado em 8 de outubro, com intensa especulação.
Com a lista de indicados sigilosa por cinquenta anos, os círculos literários suecos se dedicam a previsões. Depois de premiar o húngaro László Krasznahorkai no ano anterior, a Academia Sueca pode escolher desta vez uma escritora, possivelmente latino-americana, segundo críticos consultados.
Lina Kalmteg, da rádio sueca SR, destaca a ascensão do “milagre literário latino-americano” e a nova geração feminina, cuja escrita muitas vezes traz temáticas feministas e uma tonalidade sombria e surrealista.
A argentina Samanta Schweblin, de 48 anos, seria uma escolha interessante e surpreendente, porém talvez ainda jovem, segundo opiniões.
Outras possíveis vencedoras incluem a americana nascida em Antígua Jamaica Kincaid, que aborda exílio e identidade, e a chinesa Can Xue.
Entre os candidatos tradicionais estão o australiano Gerald Murnane, sua compatriota Alexis Wright, o americano Thomas Pynchon e a mexicana Cristina Rivera Garza.
A Academia Sueca renovou significativamente seu quadro após um escândalo em 2018, resultando em quase metade dos premiados recentes serem mulheres.
Início da temporada Nobel
A temporada dos Prêmios Nobel começa na segunda-feira com o de Medicina, seguido por Física na terça-feira e Química na quarta-feira.
Entre as descobertas médicas candidatas está o estudo sobre o hormônio GLP-1, cuja ação é simulada por remédios contra obesidade, como Ozempic e Mounjaro.

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