Notícias Recentes
Nova dinâmica na disputa eleitoral sem Bolsonaro
Na véspera do ano eleitoral, a disputa presidencial permanece sem definição clara. No campo da direita, a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após as condenações finais relacionadas ao processo da trama golpista, acelerou a reorganização do setor conservador brasileiro. Do lado esquerdo, o presidente Lula (PT) deve buscar a reeleição, mas enfrenta a ausência de um adversário direto bem definido e a falta de uma coalizão forte entre partidos aliados.
Com o líder que dominava o conservadorismo desde 2018 fora da competição, especialistas apontam que a disputa no campo da direita tornou-se mais fragmentada e menos centrada em Bolsonaro. Isso torna o cenário mais dependente da habilidade das lideranças regionais e partidárias para construir alianças duradouras.
Reorganização
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), indicou que a direita planeja se estruturar até março de 2026, movimento que surgiu logo após a prisão de Bolsonaro. Contudo, o que realmente define o panorama é o espaço político aberto pela saída compulsória do ex-presidente.
Segundo Luiz Otávio Cavalcanti, professor e ex-presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Bolsonaro, mesmo inelegível, mantinha certa influência nas articulações do campo conservador. “Ficou mais simples resolver as questões. Antes, na prisão, ele tinha alguma participação política, agora, totalmente restrito, não consegue atuar nem se movimentar”, explicou.
Ele completa dizendo que essa limitação gera uma nova oportunidade para os candidatos da direita se desvincularem da influência de Bolsonaro e formarem acordos naturais.
Essa nova configuração abre caminho para figuras como os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG), além do próprio Tarcísio. Entretanto, a movimentação ainda está nos primeiros estágios e dependerá de fatores que só estarão claros no início de 2026, segundo Cavalcanti.
Reconfiguração
O cientista político Arthur Leandro vê a prisão como o término de um ciclo baseado no carisma pessoal do ex-presidente. Para ele, a influência de Bolsonaro funcionava como uma força centrípeta que obrigava a direita a se posicionar em relação a ele; a detenção rompeu essa lógica.
“Três cenários são mais prováveis: uma direita radicalizada, mas minoritária; uma dispersão pragmática buscando nova identidade à direita da antiga oposição tucana dentro do jogo democrático; e uma moderação estratégica que tenta manter eleitores que rejeitam o PT sem repetir o confronto bolsonarista”, analisou.
Por ora, nenhuma liderança se consolidou como chefe do campo. Os filhos de Bolsonaro deverão tentar manter influência por redes sociais e nichos de opinião, mas com alcance eleitoral limitado para disputas nacionais, restringindo seu poder de reorganizar o grupo.
O cientista político Augusto Teixeira destaca que o efeito imediato da prisão é a redistribuição do poder decisório nos partidos conservadores, diminuindo a influência do bolsonarismo radical e aumentando o peso de dirigentes como Valdemar Costa Neto (PL) e Ciro Nogueira (PP).
Esquerda
A indefinição sobre a liderança da direita pode facilitar a trajetória de Lula na busca pela reeleição, aponta a cientista política Priscila Lapa. “Essa situação gera dispersão no eleitorado, levando à perda de referência e até de agenda”, enfatiza.
Arthur Leandro pondera que “a direita é maior do que Bolsonaro, assim como a esquerda é menor do que Lula“. No entanto, não acredita que essa situação facilite o caminho para o petista: “Quando há relação entre o desafiante e o incumbente, lançar várias candidaturas pode dividir e personalizar os eleitores, o que é uma boa tática para os desafiantes”.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login