Brasil
PF agenda depoimentos de Galípolo, Campos Neto e André Esteves sobre Banco Master
A Polícia Federal agendou para a próxima semana os depoimentos do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e do proprietário do BTG Pactual, André Esteves, relacionados a questões envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.
Os três serão ouvidos no inquérito que investiga possíveis ações de cooptação de dois servidores do Banco Central por Vorcaro. Conforme divulgado pelo Estadão, a PF decidiu convocá-los como testemunhas após terem sido mencionados no depoimento do ex-diretor investigado, Paulo Sérgio Souza.
A PF organizou para que cada depoimento ocorra em dias separados na próxima semana. Os advogados dos convocados ainda podem buscar adiamentos. O primeiro depoimento está previsto para a segunda-feira, com André Esteves. Na terça-feira será a vez de Gabriel Galípolo, e na quarta-feira o depoimento de Roberto Campos Neto.
Além desses, a PF planeja colher o depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, agendado para a quinta-feira. A logística dos depoimentos ainda está em fase de definição.
No depoimento que deu durante a investigação, Paulo Sérgio citou reuniões com Galípolo, Campos Neto e Esteves para tratar do Banco Master. O BTG foi citado pois chegou a considerar a compra da instituição financeira.
Paulo Sérgio negou ter recebido vantagens indevidas de Vorcaro em troca de informações confidenciais fornecidas ao dono do Master e afirmou que Galípolo resistiu em notificar o Ministério Público Federal sobre irregularidades ligadas à venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Ele relatou que notificou o diretor Ailton sobre a necessidade dessa comunicação, que já estava preparada para ser enviada ao Ministério Público.
De acordo com Paulo Sérgio, ocorreram duas reuniões com Galípolo a respeito do tema. Na primeira delas, foi informado que o Banco Master já não cumpria integralmente o recolhimento do compulsório (reserva obrigatória mantida no BC) e que seria preciso liquidar o banco ou encontrar uma solução de mercado com o BTG Pactual.
Naquela primeira reunião, Galípolo pediu confiança para a solução proposta envolvendo o BRB, ocorrida entre o final de fevereiro e início de março; já na segunda reunião, em junho, ele teria afirmado que não encaminharia denúncia ao Ministério Público por gestão temerária, baseando-se na informação de que havia fraude na carteira interna.
Paulo Sérgio ainda disse que, enquanto Galípolo passava pela sabatina no Senado para sua indicação, recebeu orientação de Ailton para manter cautela sobre a situação.
Além disso, Paulo Sérgio mencionou um caso ligado ao Banco Master envolvendo o BTG e Campos Neto. Conforme relatado, em novembro de 2024, Ailton informou que o BTG havia concluído uma diligência prévia no Master e que descobriram uma fraude de R$ 32 bilhões.
A comunicação do BTG foi feita verbalmente por telefone no dia 29 de novembro, e Ailton orientou Paulo Sérgio a ir a São Paulo na segunda-feira seguinte para uma apresentação do BTG no dia 3 de dezembro de 2024, que contou com a presença do presidente Roberto Campos Neto. Porém, o BTG não entregou documentação na reunião.

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