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1 em cada 4 brasileiros já teve que mudar de lugar por causa do clima

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Uma nova pesquisa mostra que quase 25% dos brasileiros já foram diretamente afetados pela crise climática, precisando mudar temporariamente seu local de residência devido a eventos climáticos extremos, como tempestades ou incêndios.

O estudo realizado pela Ipsos a pedido do Instituto Talanoa revela que 75% da população acredita que o setor público deve adaptar suas obras às mudanças climáticas, mesmo que isso gere custos adicionais.

A pesquisa, feita pela internet, contou com mil participantes das classes A, B e C, que representam mais de 70% da população brasileira. Se a classe D tivesse participado, a porcentagem de impacto provavelmente seria maior, pois as populações mais pobres normalmente sofrem mais com enchentes, deslizamentos e outros efeitos severos do clima.

A crise climática afeta de forma significativa a vida pessoal das pessoas, embora seja vista como um problema coletivo. Cerca de 70% dos entrevistados acreditam que eventos extremos estão aumentando. Entre eles, 24% relataram que já sentiram o impacto diretamente em suas famílias, enquanto 26% perceberam efeitos em suas cidades ou regiões. Apenas 12% acham que a mudança climática afeta mais outros países.

Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa, comentou: “Ficamos surpresos não só pela consciência das pessoas sobre os eventos climáticos extremos, mas pela percepção de que esses fenômenos afetaram suas vidas. Muitas vezes, quando falta luz devido a tempestades, as pessoas não conectam a ausência de energia ao evento climático e à falta de preparo da cidade.”

A pesquisa também avaliou a atuação dos governos frente à crise climática. O governo federal obteve melhor avaliação em comparação a estados e municípios, mas todos receberam pontuações baixas. Quando perguntados sobre quem mais atua na adaptação, 18% apontaram o governo federal, 16% disseram nenhum, 15% não souberam responder, 11% citaram organizações da sociedade civil, e apenas 7% mencionaram prefeituras ou governos estaduais.

O estudo mostrou que a preocupação ambiental no Brasil cresceu de 1% em 2016 para 18% em 2026, atingindo um nível recorde. Segundo Priscilla Branco, diretora de opinião pública da Ipsos, embora o clima não seja a maior preocupação da população — que ainda é a violência — ele vem ganhando importância, superando temas como impostos.

Yonaha explicou que este aumento na preocupação está relacionado a eventos recentes, como enchentes no Rio Grande do Sul, queimadas em 2023 e vendavais em São Paulo. Ele acredita que as eleições de 2026 podem ser as primeiras em que a questão ambiental tenha influência perceptível, embora pequena, no voto.

Outro ponto importante é o setor mais afetado pela crise do clima, segundo o público: a saúde, citada por 40%, seguida por alimentação e conta de luz (ambas 37%), moradia (29%) e mobilidade (25%). A crise climática pode agravar doenças como a dengue e causar estresse físico nas ondas de calor.

O conceito de “adaptação climática” ainda é pouco compreendido, mas a sociedade entende quando explicado com exemplos concretos, como obras contra enchentes. Priscilla Branco destaca o desafio de comunicar a importância do clima conectando-a a temas como emprego e saúde para que a questão seja bem entendida e debatida politicamente.

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