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45% dos americanos com IST ocultam a infecção antes do sexo, mostra estudo
Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que 45% dos americanos diagnosticados com uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mantiveram a informação em segredo antes de terem relações sexuais.
Dentro desse grupo, quase seis em cada dez admitiram que a relação foi sem proteção, o que eleva consideravelmente o risco de transmissão da infecção.
A pesquisa foi conduzida pelo serviço Testing.com, especializado em coleta de amostras para testes de saúde sexual, e contou com a participação de cerca de 8 mil pessoas entre 18 e 65 anos que foram infectadas por alguma IST ao menos uma vez.
Dos entrevistados, 17% relataram ter consciência de terem passado a infecção ao parceiro, e 10% confessaram ter feito isso de forma consciente. Apesar de o estudo não especificar qual IST estava em questão, nos Estados Unidos as mais comuns são clamídia e gonorreia.
Esse relatório surge em meio ao cenário em que mais de 2,2 milhões de novos casos de ISTs, incluindo clamídia, gonorreia e sífilis, são diagnosticados anualmente nos EUA, um aumento de 13% em relação a uma década atrás.
O crescimento desses números está associado a uma queda no uso de preservativos, especialmente entre os mais jovens. Dados mostram que apenas 52% dos estudantes do ensino médio sexualmente ativos usaram preservativo na última relação, uma queda de 7% em dez anos.
Outros dados importantes
A pesquisa também indicou que entre as 700 pessoas que passaram a IST de forma consciente, um terço de seus parceiros foi infectado. Muitos não revelaram a condição antes do encontro casual, e quase um quarto guardou segredo no primeiro contato sexual.
Para quem estava em relacionamentos monogâmicos, 13% omitiram a informação, enquanto entre os casados, 9% não contaram aos cônjuges. Além disso, 23% esconderam a infecção de parceiros com quem não tinham exclusividade.
Homens jovens foram o grupo que mais frequentemente ocultou seu status de portador de IST.
Toni Brayer, médica de medicina interna sediada em Washington, enfatizou: “Esconder uma IST do parceiro pode prejudicar seriamente a saúde dele. O não compartilhamento do diagnóstico expõe o parceiro ao risco e quebra a confiança, comprometendo o relacionamento permanentemente. É fundamental que ambos possam decidir sobre testes, tratamento e proteção”.
Quanto à reação ao descobrir que o parceiro tinha IST, apenas 40% revelaram a verdade. Por outro lado, 32% ficaram envergonhados ou constrangidos, 18% não divulgaram devido a consumo de álcool, e outros 15% temiam prejudicar o relacionamento.
Além disso, 13% disseram não querer estragar o momento, enquanto 9% não acharam necessário contar.
Implicações legais
Médicos e autoridades recomendam que pacientes informem seu status de IST antes da relação sexual. Em alguns estados dos EUA, não revelar o status do HIV pode levar a penas de até 30 anos de prisão. O omitir a condição de herpes pode resultar em até 12 meses de prisão e multas severas.
Especial atenção é dada à sífilis, uma IST bacteriana muito contagiosa que pode causar lesões genitais, febre e inchaço dos gânglios. Se não tratada, pode provocar danos graves ao cérebro, olhos e medula espinhal.
Dados por estado
A Louisiana e o Alasca figuram entre os três estados com maiores índices de gonorreia e clamídia. O Mississippi apresentou o segundo maior número de casos de clamídia, enquanto a Geórgia ficou em terceiro lugar na taxa de gonorreia.
Quanto à sífilis, que pode causar sérios danos nervosos e complicações em gravidezes, Dakota do Sul tem as maiores taxas do país, seguida por Novo México e Mississippi.

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