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80 presos em protestos pós-eleitorais são libertados na Venezuela, segundo ONGs
Pelo menos 87 pessoas que foram presas nos protestos após a reeleição controversa de Nicolás Maduro em 2024 na Venezuela foram soltas nesta quinta-feira (1º), conforme informaram duas organizações não governamentais.
As eleições de 2024 geraram manifestações que resultaram em 28 mortes e cerca de 2.400 prisões, acompanhadas de repressão policial aumentada, depois que a oposição alegou fraude e confirmou a vitória de Edmundo González Urrutia, apoiado pela líder opositora María Corina Machado.
A Justiça venezuelana já liberou mais de 2.000 pessoas detidas desde então, conforme dados oficiais.
“Na manhã de 1º de janeiro, mães e familiares relataram novas libertações de presos políticos da prisão de Tocorón, no estado de Aragua”, informou nas redes sociais o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve).
O Comitê de Mães em Defesa da Verdade destacou que o grupo libertado conta com 87 pessoas, porém elas ainda enfrentam processos legais e permanecem sob medidas cautelares.
A ONG enfatizou que o país necessita de uma anistia geral que conceda liberdade completa a todas as pessoas presas por motivos políticos.
Essas libertações ocorrem em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o governo Maduro, que desde agosto mobilizou forças navais no Caribe, fechou informalmente o espaço aéreo venezuelano e está apreendendo navios petroleiros sancionados perto dos portos do país.
Mais libertações
Em 25 de dezembro, foi anunciada a soltura de 99 pessoas, embora ONGs como Foro Penal tenham confirmado 61 casos.
Estimativas indicam que mais de 700 pessoas continuam presas por razões políticas.
O presídio de Tocorón, que já funcionava como base da gangue Trem de Aragua, foi fechado em 2023 e reaberto em 2024 para abrigar os detidos dos protestos pós-eleitorais.
A Foro Penal, que representa judicialmente muitos presos, relatou que a libertação de 1º de janeiro também incluiu dois presos políticos da prisão de Rodeo I, no estado de Miranda.
Segundo testemunhas, eles foram transportados em um ônibus às 4h locais desta quinta-feira.
Prisões recentes
Nas últimas semanas, houve um aumento nas prisões políticas, contrastando com as recentes libertações.
O Serviço de Inteligência (Sebin) deteve José Elías Torres, líder sindical importante, e Nicmer Evans, diretor de um site informativo. Famílias denunciam estes casos como desaparecimentos forçados.
Foram também presos José Patines, dirigente sindical, e Melquíades Pulido, membro do partido de María Corina Machado, mas ambos foram soltos pouco tempo depois.
Especialistas da ONU alertaram em setembro sobre o aumento da perseguição política no país nos últimos meses.
A oposição critica as libertações como uma tática de “porta giratória”, onde alguns presos saem enquanto outros entram, utilizando os detidos para objetivos políticos.
“São mantidos como reféns! Pessoas presas arbitrariamente para enviar mensagens, pressionar, controlar a sociedade e depois libertadas de forma seletiva, sem justiça ou garantias, quando interessa ao poder”, declarou recentemente González Urrutia, exilado na Espanha desde 2024.


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