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90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres

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Mulheres dedicam em média 9,6 horas semanais a mais do que homens em cuidados domésticos e pessoais, totalizando mais de mil horas anuais em trabalho essencial não remunerado, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.

Uma pesquisa realizada por estudiosas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) indica que 90% dos cuidadores informais no país são mulheres, principalmente filhas, esposas e netas, com média de idade em torno de 48 anos, fenômeno observado globalmente.

Segundo a professora Valquiria Elita Renk, do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas da PUCPR, mulheres e meninas são as mais impactadas em suas carreiras profissionais e estudos devido a essas responsabilidades.

“Mulheres frequentemente interrompem seus estudos para cuidar dos familiares e realizar tarefas domésticas, em um ciclo diário sem fim”, afirma Valquiria.

Este trabalho de cuidado, enraizado culturalmente no Brasil, é invisível socialmente e não remunerado. Enquanto alguns países oferecem políticas públicas que remuneram ou oferecem suporte aos cuidadores domésticos, no Brasil essas iniciativas ainda são incipientes, mesmo após a instituição da Política Nacional do Cuidado em 2024.

Valquiria destaca a importância do reconhecimento social do trabalho de cuidado, com compensações financeiras adequadas, para aliviar a sobrecarga enfrentada pelas cuidadoras, que muitas vezes dedicam-se não apenas aos cuidados práticos, mas também ao vínculo afetivo com quem assistem.

No Uruguai, por exemplo, já existe lei que permite aposentadoria antecipada para mulheres com certo número de filhos, um reconhecimento do valor social desse trabalho.

A pesquisa, que analisou entrevistas com mulheres cuidadoras no Paraná e Santa Catarina, revelou que a maioria são filhas (68%) ou esposas (21%) e que dedicam tempo integral, frequentemente abandonando seus empregos formais.

Essas mulheres enfrentam cansaço extremo, solidão e falta de apoio familiar e previdenciário, situação que impacta significativamente seu bem-estar físico e mental.

A professora ressalta a necessidade de uma mudança cultural e educativa para que meninos e meninas aprendam a dividir igualmente as responsabilidades domésticas e de cuidado, impedindo que recaia exclusivamente sobre as mulheres.

O estudo também aponta para o desafio enfrentado pela chamada “Geração Sanduíche”, mulheres que equilibram trabalho, cuidado doméstico e assistência a múltiplas gerações familiares ao mesmo tempo.

Valquiria observa que, recentemente, alguns tribunais brasileiros começaram a reconhecer a importância do cuidado na divisão de responsabilidades pós-separação, representando um avanço.

As pesquisadoras Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia também colaboraram no estudo.

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