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Pesquisa da UnB desenvolve álcool em gel com partículas de prata para combater coronavírus


Pesquisa da Unb desenvolve álcool em gel com nanopartículas de prata para melhor desinfecção — Foto: Yoshio Freire Kataoka
Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) desenvolvem uma nova fórmula de álcool em gel em tempos de pandemia do novo coronavírus. O estudo adiciona nanopartículas de prata ao material, o que, segundo os participantes, gera maior desinfecção.
O projeto é formado por dez integrantes e encabeçado pela professora Maria Del Pilar Hidalgo Falla, do curso de engenharia de energia, do campus do Gama. De acordo com a pesquisa, na forma de nanopartículas, a prata tem suas propriedades aumentadas e destrói mais de 650 organismos patogênicos.
O objetivo do projeto é garantir uma taxa de desinfecção maior que a do álcool em gel com concentração de 70%, oferecido atualmente no mercado. Segundo a professora Pilar, o material disponível é potente, mas apresenta alguns problemas, como a rápida evaporação e possíveis irritações na pele.
De acordo com a pesquisadora, o acréscimo das nanopartículas de prata sintetizadas em laboratório pode ser uma solução para essas falhas. Ela diz ainda que o processo é feito sem um alto custo de produção.
“O álcool evapora fácil e, com isso, vai perdendo o seu efeito com o passar do tempo. A outra questão é que, ao potencializar o efeito bactericida com a nanopartícula de prata, dá para diminuir a concentração do etanol do produto. Assim, a concentração do álcool não precisaria ser 70%, poderia ser talvez 50%. E, por fim, o álcool em gel irrita um pouco a pele, e a prata poderia amenizar um pouco isso.”
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Equipe é composta por dez integrantes de diferentes áreas da nanotecnologia — Foto: Yoshio Freire Kataoka
Segundo os pesquisadores, a prata já é usada em curativos para tratar ferimentos de pessoas com diabetes, que têm dificuldades de cicatrização, por exemplo.
“O álcool em gel 70% já é eficiente, sua eficácia chega a 98%. Nosso objetivo é fazer um produto que seja 100% eficaz, e melhor que o vendido no mercado”, afirma o engenheiro Diego Cardoso de Souza, um dos idealizadores do projeto.
Por enquanto, o grupo já fabricou o álcool e misturou as nanopartículas. De acordo com a professora Maria Del Pilar, o próximo passo é realizar testes para ajustar e verificar o poder de desinfecção do produto.
A ideia é que, após a produção, o álcool seja distribuído para escolas públicas das regiões do Gama e de Santa Maria. O projeto também prevê oficinas para os estudantes, com o objetivo de difundir o processo de fabricação do álcool em gel nas unidades de ensino.
“O objetivo do trabalho é também mostrar para os estudantes do ensino médio os conceitos de química que eles aprendem em sala de aula. Vamos dar uma aula laboratorial, ensinando todo o processo da produção do álcool”, explica o pesquisador Diego Souza.

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