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Conflito entre Irã e Israel pode acabar com intervenção dos EUA
Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV NPII), afirmou que é complicado prever, no curto e médio prazo, os desdobramentos do conflito entre Israel e Irã, pois o próximo passo do governo americano, que é o fator central nesse cenário, ainda é incerto.
Mesmo assim, Paz acredita que há chance do conflito terminar nesse período caso os Estados Unidos atuem de forma mais incisiva, algo que, por enquanto, não parece estar próximo.
Ele ressaltou que, sem a participação direta de tropas israelenses ou americanas, dificilmente haverá uma mudança de governo no Irã, e que esse uso de forças terrestres dependeria da aprovação do Congresso dos EUA.
O pesquisador acrescentou que, na hipótese dos EUA se envolverem diretamente, o fim do conflito possivelmente ocorreria com uma quase rendição do governo iraniano, aceitando negociações em condições desfavoráveis.
Por ora, a atuação americana tem se restringido a ataques aéreos e com mísseis, buscando enfraquecer a posição iraniana. O Irã enfrenta dificuldades para obter apoio internacional significativo, já que a China está melhorando sua situação econômica, a Rússia está focada no conflito com a Ucrânia e seus principais aliados regionais estão desorganizados.
Paz destacou que o Irã pode tentar fechar o estreito de Ormuz para causar transtornos, mas a manutenção desse bloqueio é incerta diante do potencial de resposta americana.
O especialista falou ainda sobre a instabilidade na postura do governo norte-americano, mencionando negociações que estavam em curso com o Irã sobre o programa nuclear, mas foram abruptamente alteradas quando os EUA mudaram de direção, realizando bombardeios na região.
Impactos no mercado de petróleo e gás
O Instituto Brasileiro de Petróleo Gás (IBP), principal representante do setor no Brasil, realizou uma reunião para discutir os efeitos do agravamento do conflito no Oriente Médio sobre os mercados globais e nacionais.
O IBP observa a alta volatilidade causada pela redução da produção de países importantes como o Irã, além dos riscos logísticos devido ao possível bloqueio do estreito de Ormuz, que é passagem de cerca de 20% do petróleo mundial.
A instituição espera uma diminuição das tensões geopolíticas no curto prazo para que o mercado retorne a um nível mais estável. Também reforça a importância para o Brasil de manter uma regulamentação sólida que favoreça investimentos na exploração de novas reservas, assegurando a segurança energética e a posição do Brasil como exportador de petróleo.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) alertou que o possível aumento no preço do petróleo diante do conflito impactará os custos de produção globalmente, pressionando o aumento dos preços dos derivados e afetando diversas indústrias.
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, manifestou preocupação com os efeitos que um fechamento do estreito de Ormuz pode gerar nas cadeias produtivas, já que é uma rota crucial para o fornecimento da commodity.
Fragoso ressaltou que o mercado de energia já enfrenta preços elevados globalmente, o que, somado à redução da oferta, elevaria ainda mais os custos. Como importador de equipamentos, o Brasil poderia sofrer com esses aumentos.
Ela destacou a necessidade de recompor as reservas de petróleo brasileiras. Conforme o Anuário do Petróleo no Rio 2025 da Firjan, o país dispõe de menos de 13 anos de reservas, número que representa um risco e coloca o Brasil em desvantagem frente a outras economias, considerando que há 10 anos as reservas eram suficientes para 23 anos.
Karine Fragoso defende também o aumento da capacidade de refino do petróleo nacional, modernizando o parque industrial antigo, e o avanço em normas que estimulem a produção em campos maduros, como os da Bacia de Campos.


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