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Senado aprova orçamento de Trump; Musk anuncia novo partido
Após intensas negociações, o Senado dos EUA aprovou na última terça-feira, dia 1º, o orçamento proposto por Donald Trump, que prevê cortes em impostos e programas sociais. A votação foi apertada, com 51 a 50, decidida pelo voto de Minerva do vice-presidente J.D Vance.
“Isso é música para os meus ouvidos”, afirmou o presidente, que denominou o projeto como “Lei Grande e Bonita”. O bilionário Elon Musk criticou a aprovação e reafirmou sua intenção de fundar um novo partido político.
O orçamento retorna agora à Câmara para uma última votação antes de ser assinado por Trump. Os republicanos possuem uma maioria ainda mais tênue entre os deputados. Em maio, na primeira votação, o placar foi de 215 a 214.
O projeto enfrenta resistência considerável, pois é bastante impopular. Ele prevê US$ 3,8 trilhões em cortes fiscais, sem aumento de receitas, elevando a dívida dos EUA em US$ 3,3 trilhões até 2034.
Além disso, o plano aumenta os gastos com segurança na fronteira e forças armadas, porém reduz em US$ 1,1 trilhão o financiamento do sistema de saúde, deixando cerca de 11,8 milhões de americanos sem cobertura nos próximos dez anos.
Vários governistas manifestaram descontentamento, especialmente políticos que buscam reeleição em 2026. Três senadores republicanos – Susan Collins, Thom Tillis e Rand Paul – uniram-se aos democratas para votar contra o projeto.
Elon Musk também se posicionou contra o orçamento, pois ele retira subsídios para veículos elétricos, vitais para a Tesla. As ações da empresa chegaram a cair 7% após a aprovação. Os dois ex-aliados trocaram ameaças nas redes sociais.
O bilionário reiterou sua promessa de criar o “Partido da América”, visando quebrar o bipartidarismo republicano-democrata. Ainda que possa ser retórica, essa ideia preocupa a elite política, já que o sistema presidencialista americano é fortemente baseado no bipartidarismo. Um terceiro partido poderia fragmentar votos e alterar a dinâmica eleitoral, potencialmente causando um congresso fragmentado e eleições decididas por minorias no colégio eleitoral.
Os maiores desafios para um novo partido seriam financeiros e estruturais: recursos para criar uma organização nacional e cobertura da mídia. Contudo, Musk dispõe de uma fortuna de US$ 363 bilhões e grande reconhecimento internacional por meio da plataforma X.
Especialistas indicam que o descontentamento crescente com os partidos tradicionais abre espaço para um terceiro partido, embora Musk já tenha feito promessas semelhantes anteriormente e depois desistido delas.
Ontem, Trump respondeu com antigas ameaças dirigidas a Musk: eliminar os subsídios às suas empresas e até deportá-lo para a África do Sul. “Não tenho certeza sobre a deportação. Vamos analisar isso. Talvez o Doge (Departamento de Eficiência Governamental) investigue Elon“, declarou.
Cidadania
Trump também mirou em Zohran Mamdani, candidato democrata favorito à prefeitura de Nova York em novembro. Nascido em Uganda, filho de indianos, naturalizado em 2018, ele é criticado pelo governo que avalia revogar sua cidadania, alegando apoio ao terrorismo — Mamdani defende os direitos dos palestinos.


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