Economia
Governo Lula aguarda sinal verde dos EUA para discutir tarifas com americanos

Em um momento de tensão histórica nas relações entre Brasil e Estados Unidos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca focar as conversações com os americanos no encerramento das tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo a sobretaxa de 50% prevista para começar no dia 1º de agosto.
A hipótese de envolver amedrontações ou sanções contra membros do Judiciário brasileiro, como a revogação de vistos de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), não está contemplada.
De acordo com fontes próximas às conversas, embora os canais formais de negociação estejam suspensos, há trocas informais de informações entre técnicos dos dois países.
Por ora, os representantes do USTR, o órgão que gerencia acordos comerciais internacionais dos EUA, aguardam orientação clara da Casa Branca para avançar e retomar oficialmente o diálogo.
A crise entre as duas nações intensificou-se recentemente quando o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a suspensão dos vistos de vários representantes brasileiros, incluindo sete ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Entre os afetados está o ministro Alexandre de Moraes e seus associados e familiares, enquanto os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux foram poupados das sanções.
Marco Rubio afirmou que a atuação política do ministro Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro criou uma perseguição com impactos que ultrapassam o Brasil, afetando também cidadãos americanos.
Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado uma sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros, justificando que isso ocorria devido à perseguição contra Bolsonaro, à regulação de plataformas digitais americanas no Brasil e a alegações infundadas sobre déficit comercial brasileiro.
Fontes do governo brasileiro ressaltam a calma demonstrada pelos magistrados do STF diante das medidas e comentam que ainda é cedo para prever os próximos passos, com vigilância constante sendo realizada.
Mesmo com a politização das tarifas impostas por Trump ao Brasil, o governo reconhece que outros parceiros comerciais, como Japão, Coreia do Sul, Canadá e União Europeia, também sofrem impactos semelhantes. A diferença, segundo um interlocutor, é que esses países não têm um líder comparável a Bolsonaro para complicar as relações.

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