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Gleisi chama Eduardo de traidor e pede cassação

A ministra das Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, chamou nesta terça-feira o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de “traidor” e defendeu que ele seja cassado.
O parlamentar, que é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu em entrevista que está atuando para que o aumento de 50% na tarifa sobre os produtos brasileiros, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja realmente implementado a partir de sexta-feira.
— É um traidor. Comete crime contra a pátria. Não tem o direito de continuar a ser deputado pelo Brasil. Com certeza, espero que a Câmara dos Deputados tome providências para que esse traidor não possa mais representar nenhuma instituição brasileira — afirmou Gleisi, referindo-se a Eduardo.
Gleisi também declarou que os Estados Unidos agem contra o Brasil motivados por interesses políticos ao anunciarem a sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros, que entrará em vigor na sexta-feira, dia 1º de agosto.
Sem mencionar nomes, a ministra fazia referência à carta do presidente Donald Trump, que criticava o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Judiciário brasileiro.
— O Brasil está sendo ameaçado pelo governo dos EUA com medidas unilaterais no comércio, sem justificativa objetiva. Ao contrário, são verdadeiras sanções com clara motivação política e igualmente injustificáveis — declarou, ao abrir um evento com representantes da sociedade civil do Mercosul e da União Europeia (UE), no Itamaraty.
Gleisi afirmou que o presidente Lula busca diálogo no comércio e já expressou repúdio às sanções agressivas contra autoridades brasileiras.
Ela fazia referência à suspensão dos vistos de vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, pelos EUA.
— Os crimes contra a democracia no Brasil serão processados e julgados conforme nossa Constituição, que garante o devido processo legal no estado democrático de direito. A soberania não é negociável — ressaltou.
O governo brasileiro tenta reabrir um canal de diálogo, sem sucesso. O chanceler Mauro Vieira está em Nova York, aguardando um sinal da Casa Branca para um contato de alto nível com os EUA. Mas interlocutores afirmam que isso não deve ocorrer nesta terça-feira, pois os principais integrantes da comitiva de Trump estão retornando da Escócia aos EUA.
Paralelamente, um grupo de senadores brasileiros está em Washington para tentar destravar as negociações. Espera-se que eles conversem com parlamentares e empresários americanos.
A ministra destacou que o governo brasileiro nunca se recusou a negociar um acordo justo com os EUA. Ela reafirmou a posição do Brasil de não aceitar interferência de outro país em assuntos internos.
— Nunca recusamos negociações justas e equilibradas com nossos parceiros comerciais, como sabem os nossos colegas da União Europeia. Mas nenhum país soberano pode aceitar a interferência externa nos processos e decisões do Poder Judiciário, Congresso Nacional ou qualquer outra instituição.
Gleisi também disse que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que poderá ser assinado até o fim deste ano, é uma oportunidade importante para cooperação, crescimento e desenvolvimento conjunto. Além disso, fortalecerá o diálogo entre continentes.
— Essa iniciativa vai além dos interesses econômicos: é um compromisso político com valores democráticos, práticas sustentáveis de produção e a integração de regiões que possuem laços históricos de amizade e colaboração — concluiu.

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