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crise alimentar severa na faixa de gaza alerta especialistas

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A Faixa de Gaza está enfrentando uma crise alimentar extrema, considerada por especialistas como o pior cenário possível de fome, devido ao conflito entre Israel e o Hamas, o bloqueio contínuo de ajuda humanitária e o deslocamento massivo da população. A Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), iniciativa apoiada pela ONU, emitiu um alerta preocupante afirmando que a fome generalizada, a desnutrição e as doenças estão causando um aumento nas mortes.

Nos quase dois anos de conflito, Israel tem restringido severamente o acesso de caminhões de ajuda humanitária a Gaza, interrompendo completamente alguns envios. Com bloqueios cada vez mais rigorosos, a situação se agravou dramaticamente. Embora não tenha sido declarada formalmente uma situação de fome, o IPC alerta que sem intervenção imediata, mortes em larga escala são quase certas.

O IPC define uma área em estado de fome quando pelo menos 20% das famílias enfrentam falta extrema de alimentos, 30% das crianças entre seis meses e cinco anos apresentam desnutrição aguda, e mortes diárias por fome ou desnutrição atingem um patamar crítico. Segundo o relatório com dados até 25 de julho, a situação em Gaza alcançou um ponto alarmante, com níveis recordes de privação alimentar e uma crescente desnutrição infantil, especialmente na Cidade de Gaza.

Hospitais mencionam um aumento significativo nas mortes de crianças menores de cinco anos relacionadas à fome. É importante destacar que essas mortes podem estar subnotificadas, sendo que declarações de fome formalmente reconhecidas geralmente ocorrem após o agravamento da situação.

David Miliband, chefe do Comitê Internacional de Resgate, alertou que a declaração oficial de fome é normalmente tardia em relação à realidade dos fatos, citando como exemplo a fome na Somália em 2011, que causou centenas de milhares de mortes antes de ser oficialmente reconhecida.

A demanda por alimentos básicos é enorme, estimada em 62 mil toneladas por mês para a população de mais de 2 milhões de habitantes de Gaza. No entanto, a entrada de ajuda tem sido insuficiente, com entregas muito abaixo do que seria necessário para suprir as necessidades básicas.

Mais de 20.000 crianças receberam tratamento para desnutrição aguda entre abril e julho deste ano, muitas delas em estado grave. Quase toda a população de Gaza foi classificada em situação de crise, com centenas de milhares vivendo condições de emergência ou catástrofe.

Especialistas independentes consideram desnecessária uma declaração formal para reconhecer a fome atualmente presente em Gaza, comparando os sintomas observados a diagnósticos médicos que podem ser feitos sem exames complexos.

A pressão internacional resultou em medidas como pausas humanitárias nos combates e lançamentos aéreos de ajuda, mas a efetividade dessas ações ainda é muito limitada e o acesso à ajuda terrestre permanece comprometido.

Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, nega que haja fome significativa em Gaza, alegando que o país tem fornecido ajuda suficiente. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrariou essa posição ao reconhecer publicamente as imagens de crianças visivelmente famintas no território palestino.

Apesar das tentativas de Israel em justificar o bloqueio sob a acusação de que o Hamas desvia ajuda humanitária, essas alegações não foram confirmadas por investigações independentes.

A crise humanitária se agrava com o conflito prolongado que já causou dezenas de milhares de mortes, incluindo um alto percentual de mulheres e crianças, e deslocou a maior parte da população local.

Além disso, organizações de direitos humanos israelenses como a B’Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos-Israel denunciaram que as ações de Israel configuram genocídio, baseando-se em evidências e testemunhos que documentam condições de vida insustentáveis e destruição sistemática em Gaza.

Essas denúncias ressaltam a gravidade do quadro humanitário e a necessidade urgente de medidas que interrompam as hostilidades e permitam o acesso irrestrito à ajuda, evitando mortes em massa na região.

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