Economia
Plano para evitar aumento de tarifas de Trump inclui apoio às empresas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira que o plano para enfrentar o aumento das tarifas imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros vai incluir tanto medidas de longo prazo para fortalecer as exportações quanto ações imediatas para apoiar as empresas prejudicadas.
De acordo com Haddad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou aos ministérios da Fazenda, Relações Exteriores, Casa Civil e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços que preparem uma série de propostas abrangendo medidas de curto, médio e longo prazo para responder ao aumento das tarifas dos Estados Unidos, que podem chegar a 50% para certos produtos brasileiros.
— Existem estratégias estruturais focadas em fortalecer as exportações e reformular programas voltados para empresas de todos os portes. Também há ações emergenciais para auxiliar as empresas que serão impactadas diretamente — explicou Haddad à CNN Brasil.
O ministro ressaltou que o governo ainda precisa definir as medidas concretas a serem implementadas para o Brasil, considerando que a situação está em constante mudança.
— Muitas dessas ações dependem da aprovação do Congresso, mas acredito que o Legislativo não negará apoio aos setores afetados por essas decisões. São providências necessárias e responsáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto fiscal — assegurou.
Haddad afirmou que algumas medidas precisam ser aplicadas imediatamente, no dia 1º, data em que as tarifas entram em vigor, enquanto outras poderão ser adotadas posteriormente.
— Algumas ações urgentes são importantes, como a oferta de linhas de crédito para empresas diretamente atingidas. Há ainda medidas de curto, médio e longo prazo, além de iniciativas estruturais.
Visão sobre o Comércio Internacional
O ministro enfatizou que o país não deve ver essa nova imposição tarifária como um motivo para abandonar a busca por maior participação no comércio global.
— Essa decisão, da qual o Brasil não foi responsável, não deve ser motivo para desistirmos de buscar novos mercados — reforçou.
Às vésperas do início das tarifas, Haddad destacou que o governo brasileiro ainda desconhece as medidas que serão efetivamente adotadas pelos EUA.
— Não podemos encarar o dia 1º de agosto como um marco negativo; as negociações continuam, e os canais de diálogo estão sendo gradualmente restabelecidos.
Diálogo com o Tesouro dos EUA
Haddad informou que espera conversar com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, para tratar do assunto.
— Já entrei em contato com ele, que está na Europa, e a equipe dele sinalizou que, após o retorno, poderá ser aberto um canal direto entre o Tesouro dos EUA e o Ministério da Fazenda.
Ele também ressaltou que os EUA não são hoje o principal destino das exportações brasileiras.
— Atualmente, exportamos muito mais para outras regiões, como a China e o Sudeste Asiático, que já superam a Europa em volume. Temos um acordo avançado com a União Europeia que poderá ser concluído ainda este ano.
Haddad observou que o aumento das tarifas pode até ocasionar uma queda nos preços dos produtos no mercado interno, já que a maior oferta desses itens pode ficar concentrada no Brasil.

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