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França une 14 países na tentativa de reconhecer Estado palestino

Jean-Noël Barrot, chanceler francês, anunciou na quarta-feira, 30, que 14 nações ocidentais, incluindo Canadá e Austrália, decidiram apoiar o presidente da França, Emmanuel Macron, na intenção de reconhecer o Estado palestino por meio de uma declaração conjunta. “Convidamos aqueles que ainda não se manifestaram a se juntarem a nós”, afirmou Barrot em mensagem no X.
O pedido foi feito ao término de uma conferência promovida por França e Arábia Saudita, realizada em Nova York na terça-feira, 29, que visa preservar a solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino — uma perspectiva cada vez mais distante devido à guerra em Gaza e às ações violentas de colonos judeus na Cisjordânia.
Esta iniciativa diplomática difere da postura do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que ameaçou reconhecer o Estado palestino em setembro se Israel não adotar medidas significativas em Gaza, como um cessar-fogo.
Os 15 países signatários incluem 10 que ainda não tinham reconhecido o Estado palestino: Austrália, Canadá, Andorra, Finlândia, Luxemburgo, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, San Marino e França. Islândia, Irlanda, Malta, Eslovênia e Espanha já tinham feito o reconhecimento anteriormente.
O Canadá destacou-se entre os signatários, com o primeiro-ministro Mark Carney afirmando que o governo canadense reconhecerá o Estado palestino em setembro. Ele fundamentou a decisão no compromisso da Autoridade Palestina com reformas, eleições, combate à corrupção e um Estado desmilitarizado.
Israel criticou a decisão do Canadá, chamando-a de um prêmio ao Hamas, prejudicando esforços para cessar-fogo em Gaza e para a libertação dos reféns, segundo nota do Ministério das Relações Exteriores de Israel.
O governo do Reino Unido respondeu às críticas israelenses. A ministra britânica dos Transportes, Heidi Alexander, declarou que o reconhecimento é um gesto de apoio ao povo palestino, especialmente às crianças em Gaza que sofrem com a fome, e não um prêmio ao Hamas, que classificou como organização terrorista.
Por sua vez, os Estados Unidos reafirmaram que reconhecer o Estado palestino seria recompensar o Hamas, conforme declaração da Casa Branca, citando o então presidente Donald Trump, e enfatizaram que o foco deve estar na ajuda humanitária.
A reação americana foi mais contida do que esperava Israel, que esperava uma posição diplomática mais firme para evitar que outros países seguissem o exemplo da França.
O apoio ganhou força após o anúncio de Macron na Assembleia-Geral da ONU, anunciando a intenção de reconhecer o Estado palestino em setembro, o que pode gerar um efeito em cadeia. Dos 193 membros da ONU, 147 já reconhecem a Palestina, principalmente na América Latina, África e Ásia.
A iniciativa de Macron é considerada significativa pois envolve países do G7, grupo das nações mais ricas do mundo, e pode causar divisões dentro dessa aliança se a decisão for oficializada em setembro.

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