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Quanto mediu o relâmpago mais longo já registrado?

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou um novo recorde para o relâmpago mais extenso já registrado. Este fenômeno, que aconteceu nos Estados Unidos, atingiu uma extensão impressionante de 829 km.
O evento ocorreu em 22 de outubro de 2017, durante uma tempestade intensa, e o raio se estendeu desde o leste do Texas até perto de Kansas City — uma distância comparável à que separa Paris de Veneza na Europa, de acordo com a OMM.
“Um veículo levaria entre oito e nove horas para percorrer essa distância, e um avião comercial, no mínimo 90 minutos”, exemplificou a organização. O recorde foi confirmado por um painel de 11 especialistas provenientes dos Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Espanha, Nepal e Israel, e anunciado em 31 de março.
“Os relâmpagos despertam admiração, mas representam um grande perigo que causa muitas perdas de vidas globalmente a cada ano e, portanto, são prioridade na iniciativa internacional de Alertas Antecipados para Todos”, declarou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
Ela ressaltou que as descobertas recentes levantam preocupações quanto a nuvens eletrificadas capazes de gerar descargas elétricas de longa distância, podendo impactar o tráfego aéreo e provocar incêndios florestais.
O Comitê de Extremos de Tempo e Clima da OMM, responsável pela validação de recordes climáticos, confirmou esse novo recorde através do uso de avançada tecnologia satelital. O recorde anterior, também registrado nos Estados Unidos, era de 768 km, observado entre Mississippi e Texas em 29 de abril de 2020 e certificado em 2022. Ambos os registros apresentam uma margem de erro de aproximadamente +/- 8 km.
Os dois eventos foram medidos com a mesma metodologia, que calcula a distância máxima do grande círculo. “O episódio de 2017 é notável por ser uma das primeiras tempestades documentadas pelo novo Satélite Ambiental Operacional Geoestacionário (GOES-16), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), mostrando ‘megarrelâmpagos’ — descargas elétricas com duração e distância extremamente longas”, afirmou a OMM.
Este relâmpago em particular não foi detectado na análise inicial da tempestade de 2017, sendo identificado posteriormente em uma nova avaliação.
“Esse novo recorde evidencia claramente a força impressionante da natureza. Além disso, a análise da OMM sobre eventos climáticos extremos, como a distância recorde dos relâmpagos, reflete o progresso científico significativo na observação, documentação e avaliação desses fenômenos. É possível que ocorram eventos ainda mais extremos, que só serão observados conforme a quantidade de medições de alta qualidade de raios aumentar com o tempo”, afirmou o professor Randall Cerveny, relator de Extremos de Tempo e Clima da OMM.

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