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Economia

Entenda por que a Suíça recebeu alta tarifa dos EUA e veja as mudanças nas tarifas

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A Suíça acordou surpresa nesta sexta-feira (1), um feriado nacional, após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa recíproca de 39% sobre produtos importados do país — uma das mais elevadas já anunciadas. A presidente suíça, Karin Keller-Sutter, afirmou que conversou com Trump na véspera, mas nenhum acordo foi alcançado.

A população suíça já estava preocupada desde abril, quando Trump ameaçou impor uma tarifa de 31% sobre os produtos suíços. A Casa Branca surpreendeu ao anunciar que essa taxa foi ampliada para 39%, causando grande indignação no país.

As novas tarifas variam entre 10% e 41%, sendo a mais alta para a Síria (41%). A União Europeia (UE), Japão e Coreia do Sul terão tarifas de 15%. Além disso, Estados Unidos aumentaram de 10% para 15% as tarifas aplicadas a Costa Rica, Bolívia e Equador, mantendo as tarifas de abril para Venezuela (15%) e Nicarágua (18%).

No caso do Brasil, a tarifa permanece em 10%, mas há uma sobretaxa de 40% aplicada desde 6 de agosto, totalizando 50%, embora quase 700 produtos estejam isentos dessa sobretaxa.

A Suíça exportou no ano passado 60,9 bilhões de dólares em bens para os Estados Unidos, incluindo medicamentos, equipamentos médicos, café, relógios e ouro, sendo o ouro o principal item com 11,5 bilhões de dólares. Caso não se chegue a um acordo até 7 de agosto, esses produtos estarão sujeitos à tarifa de 39%.

Até mesmo os partidos políticos da Suíça criticaram a decisão de Trump. O Partido Liberal declarou que os EUA estão prejudicando a relação de longa data entre os países e o livre comércio.

Segundo o Financial Times, essa alta tarifa foi uma surpresa, já que havia esperança em Berna por um acordo comercial com Washington após propostas recentes da Suíça.

A tarifa elevada faz da Suíça uma exceção na Europa, já que Reino Unido teve tarifa de 10% e União Europeia, 15%. Países como Noruega, que não fazem parte da UE, também tiveram uma tarifa de 15%, similar ao bloco europeu, mesmo sem acordo fechado.

O professor Simon J. Evenett, da IMD Business School em Lausanne, explicou ao Financial Times que o aumento da tarifa está relacionado ao crescimento do superávit comercial suíço com os EUA em 2024, que cresceu 56% em relação ao ano anterior.

A forte indústria farmacêutica suíça, responsável por 60% das exportações para os EUA, pode ser especialmente afetada pelo aumento das tarifas. Empresas como Novartis e Roche, que planejam investimentos bilionários nos Estados Unidos, receberam recentemente cartas de Trump exigindo redução nos preços dos medicamentos.

Comparativo das tarifas em abril e agosto

  • Afeganistão: 10% para 15%
  • Argélia: 30% (sem mudança)
  • Angola: 32% para 15%
  • Bangladesh: 37% para 20%
  • Bolívia: 10% para 15%
  • Bósnia e Herzegovina: 35% para 30%
  • Botsuana: 37% para 15%
  • Brasil: 10% (sem mudança)
  • Brunei: 10% (sem mudança)
  • Camboja: 10% (sem mudança)
  • Camarões: 11% para 15%
  • Chade: 13% para 15%
  • Costa Rica: 20% para 15%
  • Costa do Marfim: 21% para 15%
  • República Democrática do Congo: 10% para 15%
  • Equador: 10% para 15%
  • Guiné Equatorial: 13% para 15%
  • União Europeia (UE): 20% para 15%
  • Ilhas Malvinas: 41% para 10%
  • Fiji: 32% para 15%
  • Gana: 10% para 15%
  • Guiana: 10% para 15%
  • Islândia: 38% para 15%
  • Índia: 26% para 25%
  • Indonésia: 32% para 19%
  • Iraque: 39% para 35%
  • Israel: 17% para 15%
  • Japão: 24% para 15%
  • Jordânia: 20% para 15%
  • Cazaquistão: 27% para 25%
  • Laos: 48% para 40%
  • Lesoto: 50% para 15%
  • Líbia: 31% para 30%
  • Liechtenstein: 37% para 15%
  • Madagascar: 47% para 15%
  • Maláui: 17% para 15%
  • Malásia: 24% para 19%
  • Maurício: 20% para 15%
  • Moldávia: 31% para 25%
  • Moçambique: 16% para 15%
  • Mianmar: 44% para 40%
  • Namíbia: 21% para 15%
  • Nauru: 30% para 15%
  • Nova Zelândia: 10% para 15%
  • Nicarágua: 18% (sem mudança)
  • Nigéria: 14% para 15%
  • Macedônia do Norte: 33% para 15%
  • Noruega: 15% (sem mudança)
  • Paquistão: 29% para 19%
  • Papua-Nova Guiné: 10% para 15%
  • Filipinas: 17% para 15%
  • Sérvia: 37% para 35%
  • África do Sul: 30% (sem mudança)
  • Coreia do Sul: 25% para 15%
  • Sri Lanka: 44% para 20%
  • Suíça: 31% para 39%
  • Síria: 41% (sem mudança)
  • Taiwan: 32% para 20%
  • Tailândia: 36% para 19%
  • Trinidad e Tobago: 10% para 15%
  • Tunísia: 28% para 25%
  • Turquia: 10% para 15%
  • Uganda: 10% para 15%
  • Reino Unido: 10% (sem mudança)
  • Vanuatu: 22% para 15%
  • Venezuela: 15% (sem mudança)
  • Vietnã: 46% para 20%
  • Zâmbia: 17% para 15%
  • Zimbábue: 18% para 15%

Fonte: Casa Branca

Observação: Parceiros não listados terão tarifa de 10%, conforme anúncio de abril.

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