Economia
Diretor do BC avalia que política monetária não vem perdendo potência

Diogo Guillen, diretor de Política Econômica do Banco Central, afirmou nesta sexta-feira, 8, que os obstáculos na transmissão da política monetária são um problema estrutural e não apenas temporário.
“Nossas estimativas não mostram mudança na eficácia recentemente”, disse Guillen durante evento em São Paulo. “Este é um tema que estudo profundamente, sendo muito mais uma questão estrutural.”
Ele comentou que a expressão “continuação da interrupção do ciclo” usada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) traduz bem a fase atual. “Vejo essa expressão como clara, refletindo cautela diante das incertezas para definir a taxa de juros apropriada. Após essa definição, espera-se período prolongado de taxas contracionistas.”
Na última reunião em 30 de julho, o Copom manteve a taxa Selic em 15% e mencionou a “continuação da interrupção do ciclo”.
Guillen também lembrou, com leve tom de humor, que a critíca sobre a redação da sinalização do Copom completou o ciclo de críticas possíveis.
O diretor enfatizou o compromisso do comitê em convergir a inflação para a meta e a vigilância para possíveis ajustes futuros.
Desaceleração da atividade econômica
Guillen reforçou que a visão do Copom é que a atividade interna tem desacelerado conforme esperado, indicando sinais mistos: crédito desacelerando de forma nítida e mercado de trabalho ainda resiliente.
“O mercado de trabalho segue bastante ativo, tanto na remuneração quanto nas contratações, gerando dados mistos, mas com certa moderação”, afirmou, alinhado à ata recente do Copom.
O diretor ressaltou que seu objetivo no evento era reforçar os pontos já mencionados na ata.
Hiato do produto
Guillen detalhou que o Banco Central projeta a economia operando abaixo do potencial, com um hiato de produto estimado em -0,8% do PIB no final de 2024.
Questionado sobre a taxa real neutra, ele disse que não favorece atualizações constantes para evitar volatilidade. A taxa foi ajustada de 4,75% para 5% no fim do ano passado e, até o momento, permanece inalterada.
Política fiscal
O diretor compartilhou que o BC trabalha com expectativas alinhadas ao Focus e ao Questionário Pré-Copom, esperando maior execução fiscal no segundo semestre.
Ele lembrou que o Banco Central reconhece que o impacto fiscal pode ser maior do que o previsto nos seus modelos.
Contexto internacional
Sobre o cenário internacional, Guillen destacou que o ambiente continua desafiador e incerto, mencionando a nova política tarifária dos Estados Unidos que agora foca o Brasil, somada às incertezas fiscais internas.
Ele também discutiu as recentes reuniões do Copom, em que foi analisado como a correlação entre moedas e níveis de juros tem mudado em relação ao passado, impactando os países emergentes de maneira diferente.

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