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Papa Leão XIV visita a famosa Mesquita Azul em Istambul
Papa Leão XIV visitou neste sábado (29) a icônica Mesquita Azul em Istambul, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade turca. Diferente de seu predecessor Francisco, ele não realizou uma oração durante a visita.
Na terceira jornada em sua estadia na Turquia, o pontífice americano-peruano manteve a tradição de tirar os sapatos ao entrar no templo e caminhou com meias brancas dentro do grandioso edifício otomano do século XVII, decorado com os famosos azulejos de Iznik.
Com esse gesto simbólico, Leão XIV realizou sua primeira visita a um local de culto muçulmano desde que foi eleito sumo pontífice em maio. Os papas anteriores, Francisco em 2014 e Bento XVI em 2006, também estiveram na Mesquita Azul.
Acompanhado por líderes muçulmanos que detalharam a história do templo, o papa visitou o local em silêncio, interrompido apenas pelos flashes das câmeras e pelo voo de um corvo sobre a mesquita. No entanto, ele não orou no local.
O serviço de imprensa do Vaticano explicou: “O papa vivenciou a visita à mesquita em silêncio, em espírito de reflexão e escuta, demonstrando profundo respeito pelo local e pela fé das pessoas que se reúnem para orar”.
A Mesquita do Sultão Ahmed, popularmente chamada Mesquita Azul por causa dos azulejos decorativos, é uma das maiores atrações turísticas de Istambul. Ela foi construída no local onde antes havia um palácio dos imperadores bizantinos.
Ao contrário dos seus predecessores, Leão XIV não visitou Santa Sofia, antiga basílica bizantina situada a aproximadamente 300 metros da Mesquita Azul. Essa construção foi transformada em mesquita após a conquista de Constantinopla pelos otomanos em 1453, tornou-se museu após a fundação da República Turca em 1923, e em 2020 voltou a ser mesquita por decisão do presidente Recep Tayyip Erdogan. Na época, o papa Francisco expressou tristeza por essa decisão.
Turistas, maioria do público presente, aplaudiram a passagem do comboio papal.
Roberta Ribola, turista italiana, comentou: “É positivo e corajoso. As viagens do papa são sempre inspiradoras, ele transmite paz”.
Um vendedor local de milho, Sedat Kezer, afirmou valorizar “o encontro entre diferentes culturas, especialmente porque estrangeiros costumam ter muitos preconceitos sobre o islamismo. Quando ouvimos ‘Allahu akbar’ (Alá é grande), as pessoas sentem medo”.
No entanto, ele lamentou que “o papa pareceria mais sincero se interagisse com o público. Ninguém consegue vê-lo nem interagir, devido à forte segurança desde sua chegada na quinta-feira”.
Um turista chamado Bekir Sarikaya, observando atrás das barreiras de segurança, comentou: “O papa não tem nada a fazer aqui”. Ele também mencionou que seus pais viajaram 1000 quilômetros sem conseguir rezar na Mesquita Azul.
Sua esposa, entretanto, expressou opinião diversa: “Se podemos visitar igrejas em Istambul, ele tem o direito de visitar as mesquitas”.
No sábado, o papa também se reuniu com líderes de igrejas e comunidades cristãs na igreja síria ortodoxa de Mor Ephrem.
À tarde, ele participará de uma oração na igreja de São Jorge, seguida por um encontro com o patriarca ecumênico Bartolomeu I. Os dois líderes assinarão uma declaração conjunta cujo conteúdo ainda não foi revelado.
Desde o grande cisma de 1054 entre igrejas do Oriente e Ocidente, católicos e ortodoxos mantêm diálogos e celebrações conjuntas, apesar das diferenças doutrinárias.
O dia será concluído com uma missa na Volkswagen Arena, um espaço para eventos em Istambul, com expectativa de 4.000 fiéis.
Na sexta-feira, o papa dedicou palavras à unidade dos cristãos durante a comemoração dos 1.700 anos do Concílio de Niceia, evento fundamental que reuniu 300 bispos do Império Romano na atual cidade de Iznik.
Leão XIV torna-se o quinto papa a visitar a Turquia, após Paulo VI (1967), João Paulo II (1979), Bento XVI (2006) e Francisco (2014).
De domingo a terça-feira, ele continuará sua viagem com uma visita ao Líbano.


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