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Aumento de casos de vício em apostas cresce em São Paulo
O mercado bilionário das apostas online ganhou popularidade no Brasil, especialmente em São Paulo, onde o número de pessoas buscando tratamento médico para o vício em jogos de azar triplicou nos últimos três anos, conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). No entanto, a oferta de suporte para dependentes não tem acompanhado esse crescimento veloz.
A SMS registrou 114 atendimentos por transtornos relacionados ao jogo entre janeiro e setembro de 2025 em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps) na capital paulista, um aumento significativo frente aos 67 atendimentos em 2024 e 35 em 2023.
O Programa Ambulatorial do Jogo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP) também experimentou uma forte demanda, com 66 pacientes iniciando tratamento em 2023 e 191 no ano seguinte, apesar da suspensão temporária das triagens devido ao volume elevado de interessados, que agora somam uma fila de espera de 285 pessoas.
O psicólogo Edilson Braga, pesquisador pelo Ambulatório do Transtorno do Jogo no IPq-HCFMUSP, alerta que esta situação representa uma ‘bomba-relógio’ para o Sistema Único de Saúde (SUS), que enfrenta escassez de profissionais para atender à crescente demanda.
Desde a legalização das apostas esportivas e cassinos online no Brasil em 2018, e sua regulamentação em 2023, o setor cresceu exponencialmente, movimentando bilhões de reais. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 40 milhões de brasileiros participaram desse mercado em 2024.
A dependência das apostas pode desencadear problemas sérios, como ansiedade, depressão e dívidas, afetando a vida pessoal e profissional dos envolvidos, como é o caso da diarista Wanessa Silva, que perdeu o emprego e enfrentou severas dificuldades financeiras devido ao vício.
Dados mostram que uma significativa parcela dos apostadores compromete sua renda e enfrenta inadimplência, e que benefícios sociais, como o Bolsa Família, são usados para financiar apostas, o que tem gerado alertas e medidas por autoridades para restringir essas práticas.
Apesar do crescimento do problema, a estrutura de atendimento em saúde mental enfrenta desafios, como falta de especialização e longas filas, exigindo esforços para capacitação e ampliação dos serviços. A SMS e a Secretaria de Estado da Saúde têm promovido ações para melhorar o atendimento, incluindo capacitação das equipes e reforço das redes de apoio em São Paulo.
O tratamento no Ambulatório do Jogo envolve várias etapas, desde o acolhimento inicial até psicoterapia e acompanhamento médico para tratar comorbidades e prevenir recaídas.
Profissionais ressaltam a importância de restringir a propaganda das casas de apostas e investir em campanhas de prevenção para conter o avanço da dependência.


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