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Quadrilha em SP usava comunicação secreta para esconder fábrica clandestina de armas

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A investigação que revelou uma fábrica clandestina de fuzis e pistolas no interior de São Paulo demonstrou que a quadrilha responsável não dependia apenas da usinagem de alta precisão para manter a produção.

O sucesso do esquema, conforme apurado pela Polícia Federal (PF), obtida pelo Metrópoles, estava baseado em um sistema organizado para eliminar rastros, iniciado pela troca constante de celulares e finalizado com a ocultação consciente das peças durante o transporte.

O relatório policial detalha que os investigados — que contavam entre seus clientes com a facção criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro — variavam não apenas os aparelhos utilizados, mas também os meios de comunicação, alternando entre aplicativos, números pré-pagos e mensagens enviadas por intermediários. Essa estratégia dificultava que uma única interceptação comprometesse toda a rede.

Imagens:

  • Peças de armas eram projetadas e produzidas clandestinamente
  • Armamento era montado em bunker no interior paulista
  • Ação conjunta da PF e PM resultou na apreensão de dezenas de fuzis
  • Armamento negociado com criminosos
  • Comando Vermelho como um dos possíveis clientes
  • Suspeitos com formação técnica atuavam para a quadrilha
  • Dono da fábrica está entre os investigados

Um policial federal, apontado como responsável pela análise telemática do caso, destacou que os fluxos de comunicação eram criados para serem temporários.

“Os chips eram trocados com frequência incomum, o que dificultava a identificação de padrões e exigia um monitoramento constante para ligar as conversas”, relatou.

Códigos e instruções divididas

A forma como a quadrilha se comunicava chamou a atenção da PF. Usavam expressões vagas e indiretas, repassando comandos de forma fragmentada. As mensagens continham códigos rudimentares, mas eficazes para indicar os materiais a serem transportados ou produzidos sem mencionar explicitamente peças de armas, nomes de clientes ou locais.

Em várias mensagens se lia termos como “material pequeno”, “o de sempre”, “o lote do cara do outro estado” ou “aquelas quatro”. Para a polícia, esses códigos refletem o esquema produtivo identificado.

Pagamentos fracionados

Os investigadores identificaram movimentações financeiras que indicam tentativas de ocultar receitas por meio de depósitos fracionados, realizados frequentemente em caixas eletrônicos ou via terceiros, evitando transferências de grandes valores que poderiam acionar mecanismos de controle.

Parte do dinheiro circulava por contas abertas recentemente ou em nomes de pessoas sem ligação clara com a produção.

Produção sem registros

Dentro da fábrica, as práticas de ocultação também estavam presentes. Peças defeituosas eram descartadas sem registro, e não havia nenhum documento interno indicando quantidades produzidas, rejeitadas ou enviadas.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) destacou que a ausência total de registros indica a intenção clara de dificultar auditorias ou a reconstrução do processo produtivo.

Rotas variáveis para transporte

As rotas usadas para transportar os armamentos mudavam semanalmente, sempre envolvendo cidades do interior paulista, com alterações em pontos intermediários e horários para evitar a criação de rotinas e dificultar o rastreamento.

Esquema baseado no apagamento de rastros

A investigação mostra que a quadrilha mantinha a produção combinando uma estrutura industrial com logística descentralizada e eliminação sistemática de rastros. A usinagem produz as peças, as mulas técnicas as movimentam, e o apagamento impede que a atividade seja detectada.

Para os investigadores, essa integração profissional diferencia este caso de outros: não se tratava somente de fabricar armas, mas de criar um sistema para evitar o rastreamento da produção.

De acordo com um dos relatórios assinados pelo delegado federal que coordenou a operação desde o início, a estrutura funcionava de maneira profissional, com tarefas segmentadas e medidas claras para minimizar a exposição dos envolvidos, demonstrando percepção dos riscos e experiência prévia nesse tipo de atividade.

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