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tragédia no réveillon na suíça: fogo transforma festa em desastre
Quando o relógio apontava quase 1h30 do primeiro dia do Ano Novo (21h30 do dia 31 de dezembro, no horário de Brasília), o bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, estava cheio. De repente, um incêndio teve início. Pouco antes, garçons haviam servido garrafas de champanhe decoradas com velas pirotécnicas.
“Estávamos no bar Monkey’s, ao lado, e dez minutos antes tínhamos passado em frente ao Le Constellation”, relatou à AFP Elliot Alvarez, residente em Crans-Montana. “Uma amiga nos ligou desesperada dizendo que parecia ter ocorrido uma explosão.”
Ao chegarem ao local, uma grande mobilização de socorro já estava em andamento. “Era impressionante ver as pessoas que ficaram queimadas”, acrescentou Elliot Alvarez.
O incêndio causou a morte de cerca de 40 pessoas, conforme informado pelo chefe da polícia de Valais, Frédéric Gisler, e deixou 119 feridos, dos quais pelo menos 80 em estado grave, segundo o presidente do cantão, Mathias Reynard.
Segundo a promotora do cantão suíço de Valais, Béatrice Pilloud, “tudo indica que o fogo começou por causa de sinalizadores ou velas pirotécnicas colocadas sobre as garrafas de champanhe, que foram aproximadas demais do teto. Isso provocou um incêndio rápido e generalizado.”
O espetáculo com velas era uma prática habitual no Le Constellation, cuja clientela é principalmente jovem.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram cenas da festa transformada em tragédia, com o teto pegando fogo rapidamente e pessoas correndo e gritando em meio à escuridão, fumaça e chamas intensas.
Caos e confusão
Por volta das 1h30, fumaça já saía do bar localizado no centro da estação de esqui, e uma testemunha avisou a polícia do cantão de Valais.
O bar, que tem dois andares, viu o fogo consumir o subsolo e a fumaça se alastrar por todo o espaço, tornando o ambiente irrespirável. Do lado de fora, as chamas podiam ser vistas subindo.
Diante do pânico e da fumaça, muitos jovens ficaram presos enquanto tentavam sair pela porta.
Nathan, que esteve no bar antes do incêndio, contou que as pessoas pediam ajuda e gritavam por socorro.
Adrien, um turista francês, relatou no TikTok que viu pessoas quebrando os vidros com cadeiras para fugir, e que muitos saíam feridos e ensanguentados. “Foi uma verdadeira tragédia”, afirmou.
Sofrimento em meio ao fogo
Léandre, presente do lado de fora durante o incêndio, descreveu uma cena muito triste ao jornal Blick. “Havia pessoas carbonizadas, e tentamos ajudá-las ao máximo, cobrindo-as, pois estavam sem roupas.” Ele também comentou sobre a dificuldade dos socorristas diante da rapidez do fogo e das pessoas queimadas vivas.
Edmond Cocquyt, turista belga, disse ter visto corpos cobertos por lençóis brancos e pessoas jovens, gravemente queimadas, ainda vivas e gritando de dor.
Os bombeiros controlaram rapidamente o incêndio e estabeleceram um perímetro de segurança. Os feridos foram levados a diversos hospitais na Suíça, bem como à França e à Itália.
Em Milão, Umberto Marcucci afirmou estar aliviado por seu filho, Manfredi — um dos quatro italianos atendidos no hospital — ter sobrevivido com ferimentos graves, cerca de 30% a 40% do corpo queimado.
Manfredi disse que durante a festa alguém gritou “Fogo!” e que em poucos momentos as chamas se espalharam rapidamente, transformando a comemoração numa situação de perigo extremo.


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