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Economia

Taxas futuras seguem dólar e exibem queda firme na primeira sessão do ano

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Sem fatores que impulsionem e em um dia com liquidez baixa e agenda econômica vazia, os juros futuros começaram 2026 em queda consistente.

Segundo especialistas, na ausência de dados, a redução significativa na curva acompanhou a queda do dólar, um elemento crucial para aliviar a inflação interna. O bom desempenho dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) no início do ano também representa uma correção após os excessos de dezembro, período em que o juro de longo prazo subiu 45,5 pontos-base, principalmente devido à maior volatilidade política.

Ao término das negociações, a taxa do contrato DI para janeiro de 2027 caiu de 13,803% para mínima intradia de 13,7%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu de 13,192% para 13,06%. Já o DI para janeiro de 2031 marcou 13,33%, vindo de 13,472%.

Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos, ressalta que “não há uma grande novidade e o mercado puxou o dólar para baixo. Quando não há indicadores relevantes, os juros futuros geralmente acompanham o dólar”. A moeda americana à vista caiu 1,16% no primeiro pregão de 2026, para R$ 5,4256.

Velho também destaca que “não há novidades no calendário eleitoral”. Ele lembra que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciada no mês anterior, gerou estresse nos ativos domésticos, mas que “não haverá novidades sobre essa candidatura até o fim do recesso legislativo”.

A equipe econômica da BuysideBrazil aponta que, com o recesso de fim de ano, as notícias têm intensidade reduzida. “Não há avanços significativos na agenda fiscal ou política institucional, pois decisões estruturais são naturalmente adiadas”. Ainda segundo a consultoria, as poucas manchetes refletem mais ruído político, disputas internas no bolsonarismo, movimentações pré-eleitorais para 2026 e desdobramentos judiciais do que ações concretas do governo ou Congresso.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destaca que Flávio Bolsonaro acalmou o mercado ao tentar demonstrar que tem um perfil moderado e que sua equipe econômica contará com técnicos pró-mercado. Segundo ele, “o mercado financeiro era a parte mais fácil de ser convencida dessa postura moderada” e que, por enquanto, a questão política parece estar mais calma.

Sobre a movimentação recente dos juros futuros, Cruz comenta que operadores acreditam que o Banco Central pode atuar mais no câmbio, o que valorizaria o real e ajudaria a controlar a inflação, levando à queda das taxas. “O câmbio gera efeito rápido na inflação, justificando a queda dos DIs hoje”. Ele também observa que o ambiente atual favorece a redução da Selic, atualmente em nível muito elevado, não havendo motivo para mantê-la em 15%. Agora, o mercado deve começar a discutir o ritmo e a intensidade dos cortes.

Para Cruz, há espaço para reduzir os prêmios de risco embutidos nas taxas futuras ao longo de 2026. Três fatores devem contribuir para isso: um cenário eleitoral com um candidato de oposição mais competitivo, a queda dos juros nos Estados Unidos e dados econômicos brasileiros mostrando desaceleração inflacionária. “Esperamos que até meados do ano a inflação acumulada em 12 meses fique abaixo de 3,5%, sinalizando sucesso na meta do Banco Central”.

O único dado econômico divulgado na sexta-feira foi o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria de transformação do Brasil, que caiu 2,1 pontos entre novembro e dezembro, para 46,7 pontos. Valores abaixo de 50 indicam contração no nível de atividade do setor.

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