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Economia

Safra do café no Brasil e Vietnã melhora oferta, mas preço deve ficar estável

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O mercado está atento à safra brasileira de café prevista para 2026, a maior do mundo, que pode ajudar a aliviar a escassez global do produto. Nos últimos três anos, a produção no Brasil sofreu com geadas e falta de chuva, ficando abaixo das expectativas.

Atualmente, as condições climáticas nas regiões produtoras brasileiras estão próximas do normal, com exceção de um período de poucas chuvas entre setembro e meados de outubro.

“Boas chuvas têm sido registradas em várias regiões produtoras, trazendo otimismo aos cafeicultores, pois favorecem o desenvolvimento da nova safra”, destacam os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

Até janeiro, a chuva será crucial para o desenvolvimento dos pequenos frutos do café. De janeiro a abril, período que antecede a colheita, a regularidade das chuvas é essencial para o crescimento e enchimento dos grãos.

Os analistas do banco BTG Pactual alertam que ainda há muita incerteza climática pela frente, o que pode afetar a volatilidade dos preços.

Além do Brasil, outros produtores enfrentam desafios climáticos, como o Vietnã, o segundo maior produtor mundial. Nos últimos anos, tufões e tempestades ameaçam sua produção.

Estimativas indicam uma colheita vietnamita de cerca de 30 milhões de sacas de 60 kg, equivalente ao seu potencial produtivo. Brasil e Vietnã juntos respondem por mais da metade da produção global de café.

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgará a primeira previsão da safra 2026 no final de janeiro. Para 2025, a projeção é de 56,5 milhões de sacas, o terceiro maior volume da série histórica da Conab, ficando atrás apenas de 2020 e 2018, anos de bienalidade positiva. Este volume representa um aumento de 4,3% em comparação a 2024, quando foram produzidas 54,22 milhões de sacas.

Além da melhora na oferta, outros fatores podem pressionar os preços para baixo, como o fim da tarifa dos Estados Unidos sobre o café brasileiro (exceto o solúvel, que mantém tarifa de 50%), facilitando o acesso do produto ao maior mercado consumidor do mundo. Também o adiamento do regulamento europeu para produtos livres de desmatamento (EUDR) para janeiro de 2027 reduz a urgência dos compradores europeus.

Por outro lado, o baixo estoque mundial e o consumo constante limitam quedas significativas nos preços, que atingiram níveis recordes em 2025.

Os estoques de café na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) estão em níveis historicamente baixos, hoje em cerca de 400 mil sacas, contra 1,5 milhão há quatro anos.

Especialistas apontam que o consumo diminuiu devido ao aumento dos preços, porém o café é uma bebida difícil de ser substituída.

Além disso, verifica-se crescimento do consumo em novos mercados, como a Ásia, especialmente a China, que passou a ocupar posições de destaque entre os destinos das exportações brasileiras de café, subindo do top 20 em 2022 para entre o top 10 e top 8 em 2025.

Nos últimos três anos, os contratos futuros do arábica na Bolsa de Nova York vêm subindo em reação às safras decepcionantes no Brasil. O preço chegou a 410 centavos de dólar por libra-peso em abril de 2025, ante 227,50 centavos em abril de 2024, um aumento de 80%. Atualmente, a cotação está em torno de 350 centavos.

Dentro deste contexto, o analista Marcelo Moreira prevê estabilidade ou pequena queda nos preços do café no curto prazo.

“Acredito que somente um evento climático significativo poderá levar os preços do café em Nova York a ultrapassar novamente a faixa de 400 a 450 centavos. Com o custo do dinheiro elevado, o consumidor final continuará comprando no limite, aguardando a entrada da próxima safra brasileira”, comenta.

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