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Delcy aceita vender petróleo aos EUA após ataque que matou 100 pessoas
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, declarou que as relações com os Estados Unidos sofreram um abalo após o ataque e captura de Nicolás Maduro, no entanto, está aberta a negociar a venda de petróleo com Washington.
O ataque ocorrido no dia 3 resultou em 100 mortes e deixou feridos Maduro e sua esposa, Cilia Flores, conforme divulgado pelo ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello. O governo americano, por sua vez, anunciou intenção de controlar indefinidamente a venda do petróleo bruto venezuelano, com decisões venezuelanas sendo orientadas pelos EUA.
Para afirmar sua influência, os Estados Unidos apreenderam dois petroleiros: um vazio com bandeira russa e outro carregado com petróleo sancionado, localizados no Atlântico Norte e Caribe, respectivamente.
Delcy Rodríguez afirmou que existe uma ‘mancha’ nas relações bilaterais, mas destacou que o comércio com os EUA não é extraordinário nem irregular, citando uma negociação da petroleira estatal PDVSA para vender petróleo bruto aos americanos.
Em Caracas, manifestações populares têm sido organizadas em apoio ao governo, com frases como “Nico, aguente, o povo se levanta!” sendo ouvidas nas ruas do bairro de Catia.
Apesar da pressão dos EUA, Caracas busca evitar um conflito direto. A PDVSA afirmou que conduz negociações com os Estados Unidos no âmbito das relações comerciais, incluindo acordos com a multinacional Chevron.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, garantiu controle contínuo sobre as vendas de petróleo, e o presidente Donald Trump afirmou que os recursos obtidos serão usados para comprar produtos manufaturados nos EUA.
Além disso, Trump revelou que a administração de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris sob controle americano. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que os EUA possuem um plano estratégico para a Venezuela e agem de forma planejada.
Houveram também iniciativas diplomáticas, como a conversa telefônica entre o presidente colombiano Gustavo Petro e Donald Trump, visando esclarecer divergências, incluindo o tema das drogas.
Os fundos das vendas de petróleo serão depositados em contas controladas pelo governo dos EUA, para benefício do povo venezuelano e americano, conforme informou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Ela ressaltou que as decisões do governo interino continuarão sob a influência dos Estados Unidos.
Trump deverá reunir-se com petroleiras americanas para discutir oportunidades no mercado venezuelano, enfatizando que não ocorre roubo de petróleo.
Historicamente, a China tem sido o maior comprador do petróleo venezuelano, recebendo-o com descontos devido a sanções e dificuldades logísticas, enquanto o preço do óleo caiu ligeiramente nos mercados internacionais recentemente.
Especialistas indicam que Delcy Rodríguez enfrentará o desafio de equilibrar as demandas dos Estados Unidos e reorganizar o chavismo sem a presença de Maduro.
Até o momento, conservou ministros influentes como Diosdado Cabello no Interior e Vladimir Padrino na Defesa, ambos remanescentes do governo anterior.
Recentemente, fez novas nomeações, como a de um ex-chefe do serviço de inteligência para comandar a guarda presidencial e a contrainteligência militar, além de nomear Calixto Ortega chefe da equipe econômica, cargo anteriormente vago.
O governo interino de Delcy Rodríguez terá duração máxima de 180 dias, após os quais deverão ocorrer eleições para o país.

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