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Venezuela e EUA reatam relações após saída de Maduro
A Venezuela e os Estados Unidos estão empenhados em restabelecer suas relações diplomáticas neste sábado (10), depois da saída do presidente Nicolás Maduro, iniciando também a libertação gradual de prisioneiros políticos.
Essa mudança na relação, interrompida desde 2019, contempla um acordo para revitalizar a indústria petrolífera venezuelana. Segundo o presidente americano, Donald Trump, ele terá a autoridade para escolher as empresas que operarão no setor.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, porém, sua infraestrutura encontra-se bastante degradada.
Diplomatas dos EUA chegaram a Caracas na sexta-feira para discutir uma retomada gradual das relações, conforme informado pelo Departamento de Estado. Paralelamente, o governo interino liderado por Delcy Rodríguez enviará representantes aos Estados Unidos.
Por enquanto, não está prevista nenhuma mudança no regime vigente. Contudo, Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, exigiu o reconhecimento oficial de sua vitória nas eleições presidenciais de 2025, alegando que Maduro cometeu fraude para se manter no poder.
Em breve, María Corina Machado, líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, será recebida por Trump. Inicialmente, ela não fazia parte do plano americano para a Venezuela, que enfrenta uma das piores crises econômicas sob o comando de Maduro.
Como parte das negociações, o governo interino iniciou a libertação de presos políticos. Cerca de dez pessoas já foram libertadas, incluindo quatro cidadãos espanhóis, o ex-candidato à presidência Enrique Márquez e a ativista Rocío San Miguel.
Até esta semana, a ONG Foro Penal contabilizava 806 presos políticos no país, entre eles 175 militares.
Familiares dos detidos passaram a noite em acampamentos improvisados perto da prisão El Rodeo I, próxima a Caracas, exprimindo grande ansiedade e preocupação pela libertação dos prisioneiros.
“Estamos vivendo com essa incerteza há vários dias… Muito preocupados, angustiados e ansiosos. Hoje esperávamos libertações, mas não houve resultados”, declarou Hiowanka Ávila, de 39 anos, em uma oração coletiva.
Na sede do serviço de inteligência em Caracas (Helicoide), a movimentação era reduzida na sexta-feira, com poucos parentes presentes e muitos veículos oficiais, segundo observação da AFP.
Ceticismo em relação ao petróleo
Devido às libertações iminentes, Trump afirmou ter cancelado uma “segunda onda de ataques” contra a Venezuela. Mesmo assim, os EUA continuam a pressionar na região do Caribe, tendo retido um quinto navio petroleiro, Olina, que transportava petróleo venezuelano e tentava fugir das forças americanas. O navio foi mandado de volta ao território venezuelano, e seu petróleo será vendido, conforme anunciou Trump.
A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) confirmou em nota que a operação conjunta entre Caracas e Washington foi bem-sucedida.
Trump também declarou que conduz os destinos da Venezuela e mantém uma boa relação com Delcy Rodríguez, que, por sua vez, nega submissão do governo.
Na Casa Branca, Trump recebeu executivos de cerca de vinte companhias petrolíferas e ressaltou que os EUA decidirão quais empresas atuarão na Venezuela. Essas companhias estariam preparadas para investir até 100 bilhões de dólares, embora esse valor não tenha sido confirmado na reunião.
Atualmente, a Venezuela produz apenas um milhão de barris diários, uma redução significativa comparada a seus melhores anos.
Desde 2019, durante o primeiro mandato de Trump, a indústria petrolífera venezuelana está sob sanções.
Captura e reação ao ex-presidente
Maduro foi preso em 3 de janeiro durante um ataque aéreo em Caracas que causou mais de 100 mortes. Ele e sua esposa, Cilia Flores, foram transferidos para Nova York para enfrentar acusações relacionadas a tráfico de drogas e outros crimes.
Supporters do chavismo realizaram um sexto dia consecutivo de protestos em Caracas exigindo a libertação de Maduro. Josefina Castro declarou: “Não permitirei que Trump domine nosso país.”
Após a queda de Maduro, Trump intensificou a pressão sobre Colômbia e México, acusando-os de serem coniventes com o narcotráfico e ameaçando ações contra cartéis.
Em uma ligação telefônica, Trump suavizou as relações com o presidente colombiano Gustavo Petro, que será recebido em Washington no início de fevereiro.
Petro solicitou que Delcy Rodríguez e seu governo cooperem no combate ao narcotráfico, especialmente em operações contra a guerrilha ELN na fronteira.
O papa Leão XIV expressou sua profunda preocupação com as tensões regionais e pediu respeito à vontade do povo venezuelano.
Na Nicarágua, sob o controle dos aliados de Maduro, Daniel Ortega e Rosario Murillo, pelo menos 61 pessoas foram detidas por manifestações de apoio a Maduro, conforme relatam ONGs e mídia exilada.

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