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Carros elétricos no Rio: tráfico usa pontos irregulares para recarga

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Durante uma ação conjunta das polícias Civil e Militar na Vila Aliança, Zona Oeste do Rio, na última quinta-feira, as autoridades encontraram um ponto clandestino para recarga de carros elétricos. Informações indicam que o local é utilizado por criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) para abastecer veículos furtados ou roubados na cidade. Esses delitos têm ocorrido com frequência, beneficiando o tráfico principalmente pela venda das peças e pela facilidade de recarga via ligações clandestinas na rede elétrica.

Diversas comunidades sob domínio do crime possuem estruturas similares para a recarga dos veículos. A Polícia Civil destaca que favelas do Complexo da Maré, controladas tanto pelo TCP quanto pelo Comando Vermelho (CV), contam com esses pontos. A facção CV também estabeleceu locais desse tipo nos Complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão. De maneira geral, a energia é conectada diretamente em postes, o que não representa custos para os criminosos e ainda evita a exposição nos postos de gasolina, comum para veículos convencionais.

O secretário da Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi, confirmou o aumento nos registros de roubo de carros elétricos e a identificação desses pontos de recarga nas favelas. Em 2023, por exemplo, foi encontrado um wallbox — equipamento fixo para carregamento residencial — instalado por traficantes na Penha, utilizado para recarregar veículos avaliados em mais de R$ 200 mil.

“A vantagem dos veículos elétricos é a possibilidade de recarga dentro da própria favela. Isso faz com que os criminosos evitem o risco de sair para abastecer ou de adquirir combustível para trazer até as comunidades”, explicou o delegado.

O aumento dos roubos em números

O crescimento dos furtos desses carros pode estar ligado a duas razões apontadas pela polícia. A primeira é a expansão da comercialização desses veículos no estado, tornando-os mais alvos. Conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, 12.754 carros elétricos foram vendidos no Rio em 2024, número que cresceu cerca de 60% no ano seguinte, atingindo 20.262 unidades.

A segunda possível razão seria uma retaliação do crime organizada, relacionada às recentes operações policiais, como a ocorrida em outubro na Penha, que resultou na morte de 117 suspeitos, e a operação Barricada Zero, no fim de novembro. Após essas ações, o comando do tráfico teria intensificado os roubos de veículos, incluindo os elétricos.

Medidas de combate e foco na Baixada

Como parte das estratégias para enfrentar o roubo de automóveis, delegado Felipe Curi destaca a Operação Torniquete, que ocorre diariamente no estado. Agora, a atenção da polícia estará voltada para cidades da Baixada Fluminense, especialmente Duque de Caxias, que lidera o ranking de roubos de veículos na região. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a novembro do ano passado, foram registrados 1.232 casos na 59ª Delegacia de Polícia de Duque de Caxias.

Um relatório interno feito pela polícia, com base em uma marca específica de carro elétrico, apontou que no último ano foram notificados 54 casos na Baixada, dos quais 13 em Duque de Caxias.

Em nota, a Light declarou que atua em conjunto com as forças de segurança para combater fraudes e irregularidades na rede elétrica diariamente. A empresa afirmou estar atenta a novos tipos de fraudes e tem identificado o uso inadequado da rede para recarregar veículos elétricos. A Light está avaliando medidas técnicas e operacionais para lidar com essas situações.

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