Economia
Esquema complexo no Banco Master vai além de fraude simples
A estrutura complicada criada para as ações ilegais no Banco Master, conforme revelado pelas investigações da Polícia Federal e do Banco Central, envolve gestores, administradores e fundos de investimento em participações (FIPs). Muitas pessoas com profundo conhecimento do mercado financeiro participaram deste esquema.
Para os gestores da Faria Lima, o caso não se resume a uma fraude bancária comum cometida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, mas configura um crime muito mais elaborado contra o sistema financeiro.
As investigações apontaram que o Master e o Banco de Brasília (BRB), que tentou adquirir o Master mas foi impedido pelo BC, criaram títulos de crédito fictícios para justificar a movimentação de R$ 12,2 bilhões do banco estatal de Brasília para o Master. Foram identificadas movimentações suspeitas entre fundos de investimento, além de empréstimos simulados entre o Master e empresas com capital social muito baixo.
— Essa é uma estrutura ampla, envolvendo os Fundos de Investimento em Participações (FIPs), os gestores e administradores desses fundos, além de uma distribuidora DTVM. Isso não poderia ter sido arquitetado apenas por Daniel Vorcaro — comenta um gestor.
Para ele, Vorcaro não possuía o conhecimento técnico necessário para conceber um esquema dessa magnitude, contando com profissionais experientes na área de mercado de capitais, que agora são investigados pela Polícia Federal.
Na última etapa da operação Compliance Zero, Vorcaro voltou a ser alvo das investigações, assim como seu cunhado Fabiano Zettel, pastor e empresário, o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades, e João Carlos Mansur, fundador da Reag, que já esteve relacionado à operação Carbono Oculto e perdeu o controle acionário após deixar a presidência do Conselho de Administração da empresa.
Um exemplo claro do esquema fraudulento foi o Fundo Brain Cash, administrado pela Reag. Em apenas 20 dias, o fundo recebeu R$ 450 milhões via empréstimo do Banco Master e conseguiu multiplicar seu patrimônio em cerca de 30 mil vezes. Esta foi a única transação registrada no balanço do fundo, que tinha apenas um investidor: uma empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou ontem que o caso Master pode ser “a maior fraude do país”.
Outra operação suspeita envolveu transações rápidas gerenciadas por fundos administrados pela Reag DTVM, acionadas por um empréstimo de R$ 459 milhões do banco de Vorcaro. Uma dessas operações apresentou uma rentabilidade extraordinária de 10.502.205,65% em 2024.
Diante dessas irregularidades, e considerando que o banco Master não possuía condições para cumprir suas obrigações financeiras, o Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro último.
Assim, não surpreendeu os gestores da Faria Lima a nova ofensiva da Polícia Federal contra o Banco Master.
— A ação demorou a acontecer — comenta um gestor que prefere não se identificar, ressaltando que a demora pode prejudicar a coleta de provas.
No ano anterior, a região da Faria Lima já havia sido alvo da operação Carbono Oculto, que investigou conexões entre gestoras, fintechs e fundos de investimento envolvendo lavagem de dinheiro do crime organizado. Em novembro, na primeira fase da operação Compliance Zero, foram feitas sete prisões, incluindo a de Vorcaro, que foi detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar deixar o país em um avião particular com destino a Dubai, fazendo escala na Europa. Após revogação da prisão preventiva pelo Tribunal Regional Federal, Vorcaro foi liberado com o uso de tornozeleira eletrônica.

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