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Calor recorde na Terra ligado ao La Niña e oceanos quentes
O ano de 2025 esteve entre os três mais quentes dos últimos 176 anos, conforme divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência ligada à ONU, em 14 de junho.
A OMM compila dados de oito fontes independentes, todas indicando que os anos de 2023 a 2025 foram os mais aquecidos registrados, com 2025 ocupando a segunda posição em dois desses conjuntos de dados e a terceira nos demais.
Um relatório adicional do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, junto com a Berkeley Earth, dos Estados Unidos, publicado também em junho de 2026, sinaliza que as temperaturas elevadas provavelmente continuarão em 2026.
Tendência prolongada
Os números da OMM mostram uma sequência de recordes de temperatura nos últimos 11 anos desde 2015, que não foram reduzidos mesmo com o fenômeno climático La Niña atuando como um fator temporário de resfriamento.
Em 2025, a temperatura média global da superfície terrestre foi de 1,44 °C acima da média entre 1850 e 1900, com uma margem de erro aproximada de 0,13 °C. A média dos três últimos anos ficou 1,48 °C superior aos níveis pré-industriais.
Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM, ressaltou que “2025 começou e terminou sob a influência do La Niña, mas ainda assim foi um dos anos mais quentes registrados devido à concentração contínua de gases de efeito estufa que retêm calor na atmosfera”.
Ela destacou que as elevadas temperaturas na terra e nos oceanos foram responsáveis por eventos climáticos extremos no ano passado, como ondas de calor, fortes precipitações e furacões, reforçando a importância dos Sistemas de Alerta Precoce.
Há 10 anos, mais de 190 nações aderiram ao Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. O início da era industrial marcou o uso intensivo de carvão, petróleo e gás, liberando gases que causam o aquecimento do planeta.
António Guterres, Secretário-Geral da ONU, declarou no final do ano anterior que ultrapassar o limite de 1,5 °C em breve é inevitável.
Temperaturas recordes nos oceanos
Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor causado pelo aquecimento global, sendo indicadores importantes das mudanças climáticas.
Um estudo realizado em 2026 por pesquisadores internacionais revelou que a temperatura média da superfície do mar em 2025 foi 0,49 °C superior à média do período 1981-2010, posicionando 2025 como o terceiro ano mais quente já medido.
Esse dado evidencia o acúmulo gradual de calor no sistema climático global.
Por volta de 33% das áreas oceânicas globais experimentaram temperaturas entre as três mais altas registradas na história desde 1958, enquanto 57% atingiram níveis entre as cinco maiores. Regiões como o Atlântico Tropical Sul, que banha o litoral brasileiro, o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico Norte estão entre as mais afetadas.

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