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Ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado; e 2026, como fica?

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O ano de 2025 foi o terceiro ano mais quente da história do planeta, segundo divulgaram ontem (14) o observatório europeu Copernicus e o instituto americano Berkeley Earth, que também indicam que 2026 deve continuar apresentando temperaturas historicamente elevadas.

Nos últimos três anos, a temperatura global ficou em patamares nunca antes observados desde o início da era industrial. Pelo relatório anual do Copernicus, a média dos últimos três anos superou o nível pré-industrial em mais de 1,5°C pela primeira vez.

Os pesquisadores do Berkeley Earth alertaram que o salto acentuado registrado entre 2023 e 2025 é extremo e demonstra uma aceleração no aquecimento do planeta.

Organizações internacionais, climatologistas e governos reconhecem que o clima está se aquecendo de forma sustentável até a marca de 1,5°C, limite simbólico do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas assinado há dez anos.

Com três anos consecutivos nessa faixa, o Copernicus considera que o limite será ultrapassado definitivamente muito antes do previsto, possivelmente antes de 2030.

Essa aceleração ocorre num contexto em que os Estados Unidos, o segundo maior emissor de gases causadores do efeito estufa, afastaram-se da cooperação climática global durante o governo de Donald Trump, intensificando o papel dos combustíveis fósseis em sua política energética.

Tendências para 2026

Nos países desenvolvidos, o ritmo de redução das emissões também perdeu força. Na Alemanha e na França, as diminuições estagnaram em 2025, enquanto nos EUA houve um retorno do uso das usinas de carvão que anulou avanços anteriores.

Mauro Facchini, chefe da unidade Copernicus, ressaltou que a urgência para enfrentar as mudanças climáticas nunca foi tão grande.

Samantha Burgess, diretora-adjunta de mudanças climáticas do Copernicus, afirma que 2026 deve estar entre os cinco anos mais quentes já registrados e deve ter temperatura similar a 2025.

Os cientistas do Berkeley Earth concordam, prevendo que 2026 provavelmente repetirá um quadro quase tão quente quanto 2025, ficando como o quarto ano mais quente desde 1850.

Se o fenômeno El Niño surgir com seu efeito de aquecimento, 2026 poderá até mesmo ser um ano recorde, explicou Carlo Buontempo, diretor de mudanças climáticas do Copernicus. Contudo, esse pico não altera a direção clara de aumento das temperaturas.

Recordes regionais e eventos extremos

Em 2025, a temperatura média da superfície terrestre e dos oceanos ficou 1,47°C acima dos níveis pré-industriais, após o recorde de 1,60°C registrado em 2024.

Regiões como Ásia Central, Antártica e Sahel bateram recordes de calor, segundo análise baseada em dados do serviço meteorológico europeu.

O ano de 2025 foi marcado por vários eventos climáticos extremos: ondas de calor, ciclones e tempestades violentas em diversas partes do mundo, além de incêndios florestais severos em Espanha, Canadá e Califórnia, cuja intensidade foi amplificada pelo aquecimento global.

A principal causa desses aumentos é a maior queima de petróleo, carvão e gás fóssil.

Robert Rohde, do Berkeley Earth, alerta ainda para fatores adicionais que podem contribuir para o aquecimento, mesmo que em pequenas frações de grau.

Por exemplo, as normas internacionais que reduziram o teor de enxofre no combustível de navios desde 2020 podem ter intensificado o aquecimento ao diminuir as emissões de dióxido de enxofre, substância que cria partículas na atmosfera que refletem a luz solar, ajudando a resfriar o planeta.

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