Economia
Lucros elevados, fraudes e transações suspeitas: entenda as investigações no Banco Master
A apuração sobre possíveis irregularidades no Banco Master revelou indícios de emissão e movimentação de títulos de crédito falsificados, tentativas de evitar a fiscalização do Banco Central (BC) e empréstimos com operações rápidas que geraram ganhos de até 10 milhões, conforme noticiado pelo GLOBO.
A Polícia Federal (PF) conduz a segunda etapa da Operação Compliance Zero para investigar as suspeitas envolvendo o banco. Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, foi alvo de busca e apreensão. Ele já tinha sido detido na primeira fase da operação, em novembro, mas depois liberado.
A apuração identificou que o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) podem ter criado títulos de crédito fictícios para justificar a transferência de R$ 12,2 bilhões do banco público para o Master.
O BRB tentou adquirir o banco de Vorcaro, mas a negociação foi rejeitada pelo BC, que em seguida decretou a liquidação do Master.
Durante esse processo, o BRB realizou operações questionáveis com o Master na tentativa de manter a instituição ativa enquanto o BC avaliava a proposta de compra.
Uma das situações que chamou atenção foi uma série de transações rápidas realizadas por fundos de investimento geridos pela Reag DTVM, iniciadas a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo banco de Vorcaro. Uma dessas operações teve uma rentabilidade extraordinária, alcançando 10.502.205,65% em 2024.
Entre os fundos que apresentaram movimentações atípicas está o Fundo Brain Cash, que, em apenas 20 dias, recebeu R$ 450 milhões através de empréstimo do Master e viu seu patrimônio multiplicar em cerca de 30 mil vezes. Esta foi a única transação registrada em seu balanço, e o fundo tinha apenas um investidor, uma empresa ligada a uma ex-funcionária da Reag.
Conforme informações do BC, os empréstimos concedidos pelo Master para 36 empresas foram aplicados em fundos com rendimento incerto e inferior ao custo da operação, com o volume dessas movimentações ultrapassando duas vezes o patrimônio do banco em agosto do ano anterior.
Além disso, a gestora Reag está no foco da Operação Carbono Oculto, que investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e instituições financeiras.

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