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Juros sobem após EUA suspenderem vistos para brasileiros

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Os contratos futuros de juros negociados na B3 aceleraram a alta durante a tarde, diferentemente dos títulos do Tesouro americano, cujos retornos caíram nesta quarta-feira (14).

De acordo com analistas, a elevação do risco nas taxas domésticas foi motivada pela notícia divulgada pela manhã de que os EUA suspenderam o processamento de vistos para o Brasil. Outros 74 países também foram incluídos na medida, mas não houve outros fatores que justificassem o aumento dos DIs na sessão, segundo informações da Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje não teve grande impacto na curva de juros. O levantamento mostrou estabilidade na aprovação do governo e vantagem do presidente Lula nas intenções de voto, embora com vantagem reduzida para os adversários no segundo turno.

Após a notícia da suspensão dos vistos confirmada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o movimento dos juros piorou. Um economista de uma grande tesouraria disse à Broadcast que o sentimento em relação ao Brasil ficou mais negativo após essa informação.

Karoline Leavitt publicou no X que os EUA congelaram o processamento de vistos para 75 nações, incluindo Rússia, Somália e Irã, citando uma matéria da Fox News Digital sobre a decisão do governo Trump.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 13,693% para 13,74%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,966% para 13,035%, e o DI para janeiro de 2031 passou de 13,29% para 13,34%.

André Muller, economista-chefe da AZ Quest Investimentos, afirmou que inicialmente a suspensão dos vistos foi vista pelo mercado como uma sanção dos EUA, afetando juros futuros e câmbio. Entretanto, ao longo da tarde, só os DIs continuaram subindo de forma mais pronunciada, enquanto o dólar estabilizou, retomando alta apenas no fim do pregão.

Segundo Muller, a suspensão está mais relacionada ao controle da imigração e uso de assistência social nos EUA do que a sanções ou questões geopolíticas. Ele ressalta que a liquidez baixa pode ter acentuado o movimento de alta dos juros na parte final do dia.

Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, destacou que, exceto pela notícia da suspensão dos vistos, nenhuma outra informação impactou os juros futuros hoje. Ele reforçou que a notícia foi o único fator determinante pela alta dos juros na manhã de quarta.

Nos Estados Unidos, por volta das 18h, os rendimentos dos títulos públicos recuavam: a nota de 2 anos registrava 3,518%, a de 10 anos 4,143%, e a de 30 anos 4,793%. A busca por ativos mais seguros ocorreu devido ao aumento da aversão ao risco em meio a um cenário internacional com tensões geopolíticas. Os juros dos EUA chegaram a acompanhar o movimento inicial brasileiro, mas a tendência de baixa prevaleceu no mercado norte-americano.

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