Brasil
Ibovespa bate recorde e chega a 166 mil pontos
O Ibovespa fechou pelo segundo dia consecutivo na casa dos 165 mil pontos, marcando um novo recorde de 165.568,32 pontos, com alta de 0,26% na sessão de quinta-feira (15). No pregão, atingiu pela primeira vez a marca dos 166 mil pontos. A oscilação ficou entre 164.832,53 e 166.069,94 pontos, estabelecendo um recorde intradiário, após abertura em 165.179,75 pontos. O volume financeiro foi de R$ 27,8 bilhões, bastante significativo, embora inferior aos R$ 65,5 bilhões registrados na quarta-feira devido ao vencimento de opções sobre o índice.
A valorização do Ibovespa para níveis inéditos aconteceu mesmo com desempenho negativo das ações da Petrobras (ON -1,02%, PN -0,63%), que vinham sustentando o índice nos últimos dias. As ações da estatal resistiram à forte queda nos preços do petróleo, causada pelo recuo dos Estados Unidos em relação a uma possível intervenção militar direta na situação do Irã.
Os contratos futuros do Brent e do WTI recuaram mais de 4% em Londres e Nova York, influenciando os papéis da Petrobras em sentido contrário às demais grandes empresas do índice. O Ibovespa se recuperou no fim da tarde graças à performance das ações do setor financeiro, embora Santander (Unit -2,47%) e Banco do Brasil (ON -0,19%) tenham tido queda. Destaque positivo para Bradesco (ON +1,58%, PN +2,05%).
A Vale ON, principal ação do Ibovespa, subiu no meio da tarde e ajudou a impulsionar o índice, mas fechou com leve queda de 0,09%. Entre os maiores ganhos estão Vamos (+7,61%), Magazine Luiza (+4,05%) e Multiplan (+2,83%). Em contrapartida, Smart Fit (-8,17%), Vivara (-6,56%) e C&A (-5,15%) foram os que mais perderam valor.
No cenário doméstico, a liquidação extrajudicial da Reag e outra casa financeira focada em câmbio não causou distúrbios no mercado. Segundo o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, a ação do Banco Central mostrou atuação técnica importante para evitar perda de confiança. As preocupações maiores estão relacionadas a decisões de órgãos como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União, que têm gerado ruído no mercado.
Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval, o Ibovespa recuou após o início positivo do dia devido a alguma incerteza sobre a situação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que vieram abaixo do esperado. Apesar disso, a economia americana continua forte, o que impacta a direção da política monetária do Federal Reserve.
Dados recentes americanos reforçam a percepção de resiliência econômica, sustentando os rendimentos dos Treasuries e limitando uma queda brusca do dólar global. No Brasil, o real tem se beneficiado do fluxo para ativos de risco e juros ainda elevados, o que tem favorecido o câmbio, apesar do dólar ganhar algum terreno no exterior.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,61%, cotado a R$ 5,3681. Em Nova York, os principais índices de ações encerraram o dia em alta: Dow Jones +0,60%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq +0,25%.
Dados divulgados pelo IBGE mostraram aumento de 1% nas vendas no varejo em novembro em relação a outubro, superando as expectativas de alta de 0,30%, indicando um mercado interno aquecido mesmo com juros elevados. Andressa Bergamo, sócia da AVG Capital, comentou que esse dado impulsionou ações do setor e empresas com forte presença no mercado doméstico, como Magazine Luiza (+4,05%).
Por outro lado, o índice de consumo (Icon) caiu 0,41%, assim como o de materiais básicos (Imat), que recuou 0,49%, ambos influenciados por fatores externos.

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