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EUA dizem que Irã parou 800 execuções e países do Golfo pedem calma

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Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (15) que o Irã interrompeu 800 execuções de manifestantes após pressão do presidente Donald Trump. Ao mesmo tempo, as nações do Golfo buscaram persuadir o governo iraniano a agir com moderação, evitando confrontos militares em resposta à repressão das manifestações.

A República Islâmica enfrenta manifestações iniciadas em 28 de dezembro, motivadas pelo aumento do custo de vida, que se tornaram também um protesto contra o regime teocrático vigente desde 1979.

Organizações de direitos humanos denunciam brutalidade na repressão, que teria causado milhares de mortes, enquanto o país permanece quase completamente sem acesso à internet há uma semana.

De acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), baseada na Noruega, ao menos 3.428 manifestantes foram mortos desde o início dos protestos. As autoridades iranianas ainda não informaram oficialmente esses números.

Na quinta-feira, a vida retornou à normalidade em Teerã, conforme observou um jornalista da AFP presente na capital. Grandes manifestações não foram registradas nos últimos dias.

A Casa Branca afirmou que todas as opções continuam em análise pelo presidente, apesar da aparente diminuição da possibilidade de ação militar imediata.

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que “O presidente está ciente da suspensão das 800 execuções programadas para ocorrer na quarta-feira”.

Trump teria avisado o governo iraniano sobre sérias consequências caso mais manifestantes fossem mortos.

Além disso, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra autoridades de segurança iranianas e suas redes financeiras.

O Irã sofre duras sanções internacionais por seu programa nuclear, as quais contribuem para os problemas econômicos que motivaram os protestos.

Na quarta-feira, Trump afirmou ter sido informado por fontes confiáveis que “o massacre no Irã está acabando, acabou”, enquanto aliados do Golfo trabalhavam para impedir uma intervenção militar.

Fontes anônimas de países do Golfo relataram que Arábia Saudita, Catar e Omã realizaram uma intensa e última tentativa diplomática para convencer o presidente norte-americano a permitir que o Irã demonstre intenções pacíficas.

Também enviaram uma mensagem a Teerã alertando que ataques a instalações americanas na região teriam consequências graves para as relações regionais.

Negociações e Reações Internacionais

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país se defenderá contra quaisquer ameaças externas e pediu condenação internacional a interferências estrangeiras, durante conversa telefônica com o príncipe Faisal bin Farhan, ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça, mediador dos interesses dos EUA no Irã, informou que seu diplomata Gabriel Luechinger conversou com o chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, e ofereceu ajuda para reduzir tensões.

A Suíça também convocou o embaixador iraniano para expressar séria preocupação com a repressão dos protestos.

O Conselho de Segurança da ONU tem reunião marcada para discutir a situação no país.

Situação dos Manifestantes

O presidente dos EUA intensificou ameaças de intervenção militar caso as execuções de manifestantes prossigam.

Entre os casos mais preocupantes está o de Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos, cuja execução seria temida pelas organizações de direitos humanos.

Porém, o Irã negou que ele tenha sido condenado à morte, afirmando que ele responde por crimes que não incluem pena capital e que, se condenado, receberá prisão.

Araghchi disse em entrevista à Fox News que não haverá execuções imediatas.

Trump comentou na sua rede social Truth Social que “Esta é uma ótima notícia. Espero que continue assim!”

Bloqueio da Internet e Repressão

O ministro das Relações Exteriores iraniano assegurou que a situação está controlada e a calma reinante no país.

Segundo a organização NetBlocks, o bloqueio da internet no Irã já dura uma semana.

Apesar disso, vídeos recentes vazaram mostrando o auge dos protestos, com imagens autênticas de corpos alinhados em um necrotério em Kahrizak, ao sul de Teerã, enquanto familiares buscavam desesperadamente por seus entes.

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