Economia
Ibovespa sobe com leve pausa e fica próximo dos 165 mil pontos
Depois de alcançar o recorde histórico de 165 mil pontos em duas sessões consecutivas, incluindo a máxima intradiária de 166 mil na quinta-feira, o Ibovespa desacelerou nesta sexta-feira (16) para ajustar lucros, mas ainda garantiu alta semanal de 0,88%, após avançar 1,76% na última semana do ano passado. O índice da B3 fechou em queda de 0,46%, aos 164.799,98 pontos, com volume financeiro de R$ 34,1 bilhões, em um dia marcado pelo vencimento de opções.
Durante o pregão, o índice oscilou entre 164.099,89 e 165.871,66 pontos, abrindo aos 165.556,54. Em janeiro, o Ibovespa acumula valorização de 2,28%.
Os preços do petróleo se recuperaram parcialmente em Londres e Nova York, subindo mais de 1% na sessão após queda significativa de 4% na quinta-feira. Isso contribuiu para que as ações da Petrobras registrassem ganhos modestos, com alta de 0,27% para as ON e 0,79% para as PN, reduzindo impactos negativos de papéis do setor financeiro, como o Itaú (PN -0,83%). Além disso, o mercado recebeu bem a prévia positiva do relatório de produção da Petrobras. No dia, as maiores altas do Ibovespa foram Copasa (+2,51%), Cosan (+2,40%) e Assaí (+2,19%), enquanto Vamos (-9,09%), Braskem (-5,84%) e Direcional (-5,70%) ficaram entre as principais quedas.
No cenário internacional, a volatilidade foi intensa nos preços do petróleo devido às incertezas políticas no Irã, onde ocorreu uma forte repressão violenta contra manifestantes, resultando em mais de 2,4 mil mortes, segundo relatos de organizações humanitárias.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, adotou uma postura mais cautelosa quanto a uma possível intervenção militar no Irã, reduzindo os prêmios de risco embutidos no preço do petróleo. Segundo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, Trump passou a monitorar atentamente a situação, evitando decisões precipitadas em uma região tão estratégica para a energia mundial.
Com isso, contratos futuros de petróleo registraram queda, refletindo menor temor no mercado sobre a possibilidade de interrupção no fornecimento via Estreito de Ormuz, rota crucial para petroleiros próxima ao Irã.
No âmbito econômico dos EUA, Trump sinalizou a possibilidade de manter Kevin Hassett como diretor do Conselho Econômico Nacional, uma decisão que impacta as apostas para a presidência do Federal Reserve a partir de maio. Seu aparente desejo de evitar interferência direta na instituição foi lido positivamente pelo mercado, com crescimento da probabilidade de que Kevin Warsh assuma o comando do Fed, considerado menos rigoroso do que Hassett por analistas como Matheus Spiess, da Empiricus Research.
Em Nova York, os principais índices fecharam praticamente estáveis: Dow Jones caiu 0,17%, S&P 500 -0,06% e Nasdaq -0,06%.
Na B3, a realização de lucros após recordes recentes favoreceu uma pausa nas altas, apesar das boas performances semanais de ações como Petrobras (5,74% PN e 6,52% ON) e Vale ON (5,57%). Hoje, a ação da mineradora operou em baixa na maior parte do dia, mas fechou próxima à estabilidade, valorizada em 0,04%, aos R$ 78,88.
Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, destacou que a bolsa mantém o padrão observado em 2025, com novos recordes impulsionados principalmente pelo fluxo estrangeiro, e que a liderança nas altas migrou para ações como Petrobras e Vale, que começaram a reagir mais fortemente neste ano.
Diante de incertezas externas, os investidores domésticos ficaram um pouco mais cautelosos para a próxima semana. Segundo o Termômetro Broadcast Bolsa, a expectativa de alta do Ibovespa caiu para 55,56%, enquanto as previsões de queda subiram para 33,13%, e as de estabilidade diminuíram para 11,11%.
Na agenda econômica do Brasil, destaque para o índice de atividade IBC-Br divulgado pelo Banco Central, que surpreendeu positivamente ao subir quase 0,7% na margem, mostrando aquecimento econômico alinhado com os dados recentes do varejo do IBGE. Para economistas como Antonio Ricciardi, do Daycoval, e Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, o resultado reforça a tendência de uma economia aquecida, com possíveis impactos nas decisões do Copom sobre a política monetária.

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