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Cuba atende só metade da eletricidade que precisa
Cuba, que enfrenta a ameaça de cortes no fornecimento de petróleo oriundo da Venezuela em função das sanções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu suprir apenas 50% de sua necessidade diária de energia elétrica em 2025, conforme dados oficiais compilados e analisados pela AFP.
Os dados também revelam um crescimento significativo – embora ainda limitado – na produção de energia solar, com a instalação de cerca de 40 parques solares no último ano.
A demanda média de energia no país é de aproximadamente 3.300 megawatts (MW), porém, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, houve um déficit médio de 1.643 MW, segundo cálculos baseados nas informações divulgadas pela empresa estatal Unión Eléctrica de Cuba (UNE).
Essa tendência de déficit persistiu na primeira metade de 2026.
A UNE divulga diariamente a demanda prevista e a falta de energia registrada no pico durante a noite. A diferença entre esses valores indica a quantidade efetiva de energia disponível, que ficou em média na ordem de 1.670 MW: apenas metade do que os 9,6 milhões de habitantes da ilha necessitam.
Houve um forte aumento na geração de energia solar fotovoltaica. Enquanto no final de março os parques solares forneciam entre 300 e 400 megawatts-hora (MWh), em dezembro essa cifra ultrapassou 3.000 MWh.
No entanto, a pouca disponibilidade de baterias para armazenamento faz com que essa energia seja usada somente durante o período de sol, não durante a noite, quando o consumo é maior.
Desde 1962, Cuba enfrenta um embargo dos Estados Unidos e uma crise econômica grave. Nos últimos três anos, faltam combustíveis, comprometendo a geração de eletricidade.
Essa escassez pode piorar após Donald Trump assumir o controle do setor petrolífero venezuelano e anunciar o corte no envio de petróleo e recursos para Cuba.
Desde 2000, a Venezuela tem sido a principal fornecedora de petróleo para Cuba, sua parceira ideológica.
A geração de eletricidade depende de oito usinas termelétricas, na maioria construídas entre as décadas de 1980 e 1990, que frequentemente apresentam falhas ou precisam ser desligadas para manutenção.
Apagões diários longos, às vezes superando 20 horas seguidas, são frequentes.
O governo atribui o problema à dificuldade de reparar a rede elétrica devido ao embargo americano, contudo, economistas apontam falta crônica de investimentos públicos no setor.

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