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Economia

Novo acordo Mercosul-UE deve fortalecer agroindústria brasileira e ampliar parcerias

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Os blocos econômicos do Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, e da União Europeia firmam neste sábado (17), no Paraguai, um acordo comercial com o intuito de fortalecer e expandir as relações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

Depois de mais de vinte anos de negociações iniciadas em 1999, o acordo será oficializado para criar uma zona de livre comércio que prevê a diminuição gradual de impostos de importação sobre a maioria dos produtos comercializados. A intenção é estimular o comércio bilateral e consolidar o Brasil como um parceiro estratégico para as 27 nações da União Europeia.

O professor e economista Sandro Prado destaca que a elaboração desse grande acordo foi um processo complexo devido aos muitos interesses envolvidos entre os países latino-americanos e os membros da União Europeia.

De acordo com Prado, o foco agora será nas questões comerciais, em um contexto global onde a imposição de barreiras tarifárias tem sido frequente.

“Basicamente, o que foi negociado durante todo esse período é que o Mercosul vai eliminar as tarifas sobre cerca de 90% dos bens europeus em um prazo de aproximadamente 15 anos”, explicou Prado.

Por outro lado, a União Europeia também eliminará as tarifas sobre cerca de 95% dos produtos sul-americanos em um prazo estimado de 12 anos. Para o Brasil, que possui a maior economia da região, os impactos são vistos com otimismo. O setor agroindustrial, incluindo produtos como etanol, açúcar e café, emerge como um dos principais beneficiados.

Prado exemplificou os benefícios ao citar a influência positiva na fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, em Pernambuco, que exporta uva, manga e banana para o mercado europeu. “A tendência é que esses produtos fiquem mais acessíveis para o consumidor europeu, aumentando a demanda”, afirmou o professor, destacando que itens manufaturados, como calçados e aeronaves da Embraer, também ganharão maior competitividade.

Além do crescimento nas exportações, o acordo trará impactos diretos no bolso do consumidor brasileiro. Com a redução gradual das tarifas, produtos europeus sofisticados, como vinhos, azeites, queijos e automóveis, devem chegar ao mercado nacional com preços mais baixos, conforme avaliação do economista.

Ele também ressaltou que o tratado provocou preocupações entre agricultores europeus e governos, devido ao receio de perda de competitividade frente aos produtos agropecuários brasileiros.

Com a assinatura do documento, espera-se um reordenamento na cadeia produtiva global, elevando a relevância da União Europeia como destino das mercadorias brasileiras, que atualmente têm como principais compradores a China e os Estados Unidos.

“O Brasil, por sua extensão territorial e grande número de habitantes, é realmente um dos países mais beneficiados na região do Cone Sul”, avaliou Sandro Prado.

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