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Mercosul e UE fecham acordo importante de comércio

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O Mercosul e a União Europeia irão assinar neste sábado (17), na cidade de Assunção, no Paraguai, um tratado que criará uma das maiores áreas de livre comércio no mundo. Este evento é histórico, ocorrendo em um momento de crescente protecionismo global, e será marcado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por protestos na Europa.

Este acordo, que vem sendo negociado desde 1999 entre a União Europeia e os membros fundadores do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai —, originará um mercado que corresponde a 30% do PIB mundial e inclui mais de 700 milhões de consumidores.

A cerimônia terá início às 12h00, no horário local (mesmo horário de Brasília), em Assunção, que atualmente exerce a presidência rotativa do bloco, que também conta com a participação da Bolívia.

Além do presidente anfitrião, Santiago Peña, irá assinar o acordo o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, e é esperado que o mandatário argentino, Javier Milei, participe também.

O acordo foi impulsionado especialmente por Lula, mesmo que ele não tenha participado da assinatura, que estava prevista para ocorrer em dezembro em Foz do Iguaçu.

O local para a assinatura será o anfiteatro do Banco Central do Paraguai, onde em 1991 foi assinado o “Tratado de Assunção”, que deu origem ao Mercosul.

O acordo entre UE e Mercosul elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, favorecendo as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e destilados para os países fundadores do bloco sul-americano.

Em troca, facilita a entrada na Europa de produtos sul-americanos como carne, açúcar, arroz, mel e soja.

Após a aprovação dos termos do tratado pelos países europeus em 9 de janeiro e o anúncio da assinatura no Paraguai, Lula comunicou sua ausência na cerimônia.

Uma fonte da Presidência brasileira revelou à AFP que a assinatura foi inicialmente planejada para ser um evento ministerial, e Assunção convidou os presidentes de última hora.

Na sexta-feira, Lula recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes do voo dela para Assunção, onde estará presente ela e seu colega do Conselho Europeu, António Costa, para a assinatura do acordo.

Após uma reunião no Rio de Janeiro, Lula destacou o tratado como “muito positivo, especialmente para a democracia mundial e para o multilateralismo”, enquanto von der Leyen elogiou “o poder da cooperação e abertura”, em declaração conjunta à imprensa.

Este avanço ocorre em tempo de incertezas globais devido a políticas protecionistas e ameaças tarifárias do presidente americano, Donald Trump.

O acordo enfrenta resistência significativa de agricultores e pecuaristas de alguns países europeus, que protestam contra a assinatura temendo uma entrada massiva de produtos sul-americanos produzidos sob normas consideradas menos rigorosas.

Milhares protestam há dias nas ruas da França, Polônia, Irlanda e Bélgica.

Para acalmar os ânimos, a Comissão Europeia criou cláusulas e concessões, garantindo proteção a setores como carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando a cota de produtos latino-americanos isentos de tarifas e intervindo em caso de desequilíbrio de mercado.

Essas medidas foram decisivas para que a Itália revertesse seu voto negativo, permitindo a aprovação do acordo entre os europeus.

No entanto, os produtores ainda pretendem organizar uma manifestação em 20 de janeiro em Estrasburgo, França.

Além disso, alguns industriais sul-americanos mostram preocupação, como na Argentina, onde a indústria automotiva local poderia perder até 200.000 empregos devido ao impacto do acordo, conforme afirmou à AFP a doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires, Luciana Ghiotto.

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